Publicações

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The Cluster as a theoretical and practical tool for Portuguese International Cooperation for Development: the cases of Mozambique and Angola


Este artigo procura dar um contributo para o conhecimento dos efeitos teóricos e práticos do novo instrumento nas mãos da cooperação portuguesa para o desenvolvimento – clusters em cooperação – tanto no que diz respeito aos países que recebem ajuda internacional como ao nível do efeito que a sua criação e implementação pode ter, através do que podemos chamar de “efeito bumerangue”, na reforma das instituições públicas e privadas de cooperação em Portugal, sobretudo no Instituto de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD ). Quanto à vertente teórica, defendemos que é apenas a ligação deste conceito ao benchmarking, tal como é entendido na reforma da administração pública em curso, que o transformará numa verdadeira medida de política, por oposição a medidas virtuais que são anunciadas e nunca postas em prática. Poderá então dar um contributo inovador para a reforma das instituições públicas e dos atores não estatais que compõem o campo da cooperação portuguesa, que opera no atual quadro de consenso internacional sobre a área, e da política de reforma da administração pública do atual governo. Em termos de operações práticas, sustentamos que isso deve ser alcançado por um modelo flexível, perfeitamente viável e de forma alguma utópico. Com este modelo, podem ser desenvolvidos programas de cooperação adaptados às prioridades de cada país. Isso pode ser feito usando a metodologia de parceria e a avaliação dos resultados que dão a melhor qualidade e são os mais participativos possíveis em todas as fases de identificação, concepção, implementação e avaliação. Isto significa ter presente as opções políticas portuguesas e dos países parceiros, bem como a coerência, consistência e capacidade institucional de ambas as partes. São necessárias experiências de outros países que financiam a cooperação, devendo referir-se o cluster mais avançado em Portugal – o projecto para a Ilha de Moçambique – bem como apresentar propostas para a operacionalização dos clusters. Estes podem constituir um modelo do que Portugal pode traçar para os países com os quais está a cooperar, podendo depois estender-se também ao que pensamos serem as transformações nas instituições portuguesas do “campo” à luz das ideias aqui expressas.

Dialética do acomodatismo brasileiro


A economia-mundo capitalista está imersa em uma inércia generalizada. Um movimento de lenta acumulação, baixo investimento, limitadas taxas de crescimento, que se dá por uma intensa pressão sobre os níveis das desigualdades, historicamente, existentes. O Brasil não está alheio aos tensionamentos desse movimento. Este artigo apresenta os elementos que caracterizam o que denominamos estrutura da acomodação brasileira. A pesquisa mostrou que a recente acomodação da economia brasileira se expressou na perda relativa de sua capacidade produtiva, no desempenho do volume das importações e na deterioração de seu mercado de trabalho.

Djunta-mon em três tempos: pós-independência, imigração e transnacionalismo. Aspectos da experiência associativa cabo-verdiana


Este estudo tem o foco nas associações voluntárias e discute sobre as condições materiais e psicossociais de adesão e participação dos associados. Estes aspectos são analisados sob o ponto de vista dos associados de cooperativas da zona rural da ilha de Santiago, criadas no período pós-independência, e de associações de imigrantes cabo-verdianos em Portugal. Em Santiago, identificamos quer formas singulares de apropriação da base ideológica oficial e dos objectivos governamentais, quer permanências culturais que, por meio de práticas como o djunta-mon, asseguram a protecção das identidades sociais e permitem a familiaridade e o controle subjectivo dessa prática social. Na imigração, as associações espontâneas propõem manter a identidade, promover a inclusão social ou resolver problemas e necessidades comuns e reflectem a heterogeneidade, as clivagens sociais e divisões de classe de origem que são reproduzidas na imigração. Actualmente, exigências formais de maior rigor e competência técnica e humana no seu funcionamento parecem enfraquecer a adesão espontânea e voluntária e o djunta-mon. Ao mesmo tempo, interroga-se sobre o papel tradicional dessas associações face a transformações na imigração com a inclusão de novos perfis como os migrantes transnacionais. Examinamos a adaptabilidade desta estratégia colectiva indicando que no passado, no presente e perante a possibilidade de uma prática associativista transnacional, o recurso ao tradicional djunta mon adaptado ao contexto vivido, assegura a manutenção da forte rede de reciprocidade e sociabilidade essencial à sobrevivência e ao sucesso das associações.

A diáspora cabo-verdiana e a ideia de nação


Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas USP Departamento de Geografia 14.10.2009.

Apresentação do GIS – Grupo Imigração e Saúde Parte 2: a utilidade do GIS para os imigrantes


II Fórum Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis Viana do Castelo 25-26 de Outubro de 2007.

Feiras livres e mercados no espaço lusófono: aspectos metodológicos


Projeto Pró-África, CNPq Visita Exploratória “Feiras livres e mercados no espaço lusófono: trabalho, geração de renda e sociabilidade.

Diáspora e os 30 anos de independência de Cabo Verde


Lisboa, 04 de Junho de 2008 Feira do livro, Cabo Verde país convidado

De emigrantes/imigrantes a migrantes transnacionais; possibilidades e limites de uma nova categoria de análise da identidade e migração cabo-verdianas


No campo da migração caboverdiana, o transnacionalismo vem se consolidando como uma nova lente de abordagem das velhas experiências de trocas e participação em práticas sociais que ultrapassam fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, os estudos sobre identidade e migração caboverdianas mostram a preponderância da dupla existência emigrante/imigrante como forma de reconhecimento das pessoas e dos grupos. Neste trabalho, propomos examinar as correspondências ou oposições entre a evidente consolidação do transnacionalismo caboverdiano como objecto de estudo das ciências sociais e as possibilidades de constituição de uma nova constelação identitária pela qual os indivíduos e os grupos se reconhecem como migrantes transnacionais. O transnacionalismo e a identidade são conceitos cuja justaposição parece inerente, na medida em que, como campo social, o transnacionalismo comporta variáveis sociológicas que exercem efeito discernível sobre o campo psicológico da identidade. Pela perspectiva do campo social, serão examinadas as mudanças que o modo de viver transnacional opera nas formas de viver a assimilação/exclusão nos lugares de imigração e, entre outros laços, o mito do retorno à origem. Um novo dinamismo na construção, negociação e reprodução de identidades significa, para cada actor, definir-se de forma diferente em termos de classe, raça e género. Além disso, outras categorias sociais podem emergir nesse contexto, e mesmo apresentando diferentes graus de saliência entre si, no campo social, sustentam a necessidade de novas estruturas de referência que possam capturar as experiências sociais e económicas dos migrantes em diferentes lugares.

HIV/AIDS prevention behaviour amongst youngsters of Cape Verdean origin living in Portugal


Este artigo aborda o comportamento preventivo do SIDA de jovens de origem cabo-verdiana residentes em Lisboa. Centra-se nas práticas e representações de grupo da SIDA e do comportamento sexual orientado para o género. Baseado em um projeto de pesquisa em andamento, o artigo argumenta como a AIDS tem potencial para se tornar mais um fator discriminatório em um grupo já estigmatizado racial e socialmente. Esta investigação pretende compreender a relação entre o que os jovens sabem sobre o HIV/SIDA e o seu comportamento de prevenção ativa. Além disso, explora como o contexto imigratório pode interferir em seus comportamentos e opiniões em relação ao HIV/AIDS e nas práticas consideradas mais seguras a serem adotadas. Portanto, esta pesquisa está entre aquelas que visam fundamentar as propostas de educação em saúde em HIV/AIDS na compreensão clara de como diferentes populações ou grupos concebem sua própria saúde. Para o efeito, seleccionámos uma amostra de jovens de origem cabo-verdiana actualmente residentes em Portugal, nascidos dentro ou fora de Cabo Verde. Ambos os sexos estiveram igualmente presentes (8 homens e 7 mulheres), com idades compreendidas entre os 16 e os 26 anos e residentes em conjuntos habitacionais, ou seja, habitações construídas nos projetos de requalificação urbana do município para realojamento de pessoas em bairros degradados. As áreas de interesse foram escolhidas por apresentarem um elevado número de cabo-verdianos ou seus descendentes: Lisboa, Grande Lisboa e Loulé. Assumimos que a pertença a estas áreas implica um contexto social e económico particular; pois, embora discutível, a definição de ‘alojamento concelho’ transmite, em grande medida, uma categorização social aplicada por um sistema de classificação social aos imigrantes em Portugal. Nesse sentido, consideramos eventuais repercussões na experiência social dos jovens e em suas condições existenciais materiais e simbólicas, das quais dependem as decisões cotidianas de saúde e prevenção. Adotou-se uma metodologia qualitativa de coleta de dados, para permitir um estudo exaustivo explicativo e a identificação de diversos padrões perceptuais e comportamentais. Tal metodologia, desenvolvida por Rodrigues (1978,1999), é a mais adequada para atingir o conteúdo ‘irracional’ – denominação comumente aplicada nas Ciências Sociais a fatores que “existem, mas não podem ser apreendidos pela razão” (Rodrigues, 1999, p.4). ). Como refere o autor, trata-se de alcançar “aquilo que não se mede, mas que vale a pena ser conhecido”, mais concretamente, o conteúdo emocional e o significado mais profundo das explicações dos jovens sobre os comportamentos de prevenção do HIV/SIDA. Foram realizadas minuciosas entrevistas individuais, com o objetivo de coletar um material capaz de revelar as representações, o tipo de percepção, os recursos explicativos utilizados, as justificativas produzidas de acordo com os papéis ocupados dentro de um determinado grupo, particularmente, sua posição em relação à imigração e HIV/AIDS. AUXILIA. Por meio do autoexame (discurso livre), conseguimos identificar as principais áreas de interesse e preocupação, sua importância, como se relacionam com sua vida e com o mundo ao seu redor. Além disso, objetivando identificar exatamente como os entrevistados inserem a questão da aids em suas preocupações de vida. As Perguntas Intermediárias nos permitem explorar questões de HIV/AIDS relevantes para o projeto, embora não levantadas espontaneamente pelo jovem durante a abordagem do Discurso Livre. O Questionário Socioeconómico permitiu compreender as condições de vida deste grupo em Portugal, bem como a sua história familiar. Hoje discutiremos aqui o tema da migração familiar em suas diferentes fases e por cada indivíduo.


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