Artigos
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Visa policy and its potential on attracting inbound tourism flows in Angola
Resumo
Ao longo do tempo, o turismo tem acompanhado a evolução das sociedades e, atualmente, é frequentemente considerado um motor de desenvolvimento económico e social para muitos países. Apesar disso, Angola continua a registar números relativamente baixos de fluxos internacionais de turistas. De acordo com o Plano Diretor do Turismo de Angola, previa-se, para 2017, um número de chegadas entre 1,4 e 3,5 milhões, mas, na realidade, foram registadas apenas 0,26 milhões — um valor cerca de 5 a 13 vezes inferior às projeções iniciais (MEPA, 2020).
A análise desta realidade alertou para o facto de que os recursos naturais e culturais, a disponibilidade de infraestruturas de qualidade e as condições gerais de funcionamento de um país — como segurança, higiene e condições de saúde — são fatores essenciais de competitividade, mas não exclusivos. A entrada em Angola requer um pedido de visto para a maioria dos países de origem dos turistas. Em 2017, dos quinze países que mais viajaram para Angola, apenas dois não necessitavam de visto prévio e quatro não necessitavam de visto à chegada (MEPA, 2020). Esta constatação e as alterações legais introduzidas em 2018, na política de vistos, motivaram o presente estudo, que procura responder à seguinte questão de partida: em que medida a política de vistos é importante para o desenvolvimento do turismo estrangeiro em Angola?
O artigo está estruturado em várias secções. Inicia-se com uma introdução, seguida do estado da arte. A segunda secção apresenta a evolução do turismo em Angola nas últimas décadas, tanto em termos legislativos como estatísticos, contextualizando a situação política, social e económica vivida, bem como a política de vistos e as principais opções e enquadramento legal. Na terceira secção, é apresentada a metodologia adotada, seguida da discussão dos resultados.
Citação
Sarmento, E., & Silva, E. (2025). Visa policy and its potential on attracting inbound tourism flows in Angola. In Eduardo Brito-Henriques, Eduarda Marques da Costa & Patrícia Abrantes, Planeamento Territorial e Turismo. Estudos em homenagem a José Manuel Simões (Cap. 13, pp. 153-162). ISBN: 978-989-693-188-9. Lisboa: Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. ISBN 978-972-636-316-3 DOI 10.33787/CEG20250001
Pathways for Black Studies in Portugal. A New Field of Knowledge and Research
Resumo:
Reflecting on contemporary epistemologies of European Blackness
Long absent from research in the humanities and social sciences, Black people in continental Europe have become the focus of a growing body of literature in the past two decades that addresses their unique history and social positioning. Black Studies in Europe: An Anthology of Soil and Seeds brings together essays and case studies by a collective of scholars, writers, and activists to offer a critical overview of the emerging field of Black European studies and a vital reflection on contemporary epistemologies of European Blackness. This collection addresses key questions: What is Blackness from a European standpoint? Which epistemologies and theoretical tools have been used to offer a better understanding of Black experiences in Europe? How is this knowledge being produced and by whom? Can we define a common European conceptual framework for Black studies? Related to this work is an even more urgent enterprise: forging an epistemological distinction between the study of Black people and “Black studies” as an emancipatory project.
Women’s Agricultural Production in Guinea-Bissau as a Means of Strengthening Their Identity
Resumo:
O presente artigo resulta do estudo realizado para a Cooperação Suíça na Guiné-Bissau sobre as mulheres horticultoras. A recolha de dados foi efetuada mediante inquéritos e entrevistas conduzidos nas regiões de Bissau, Biombo, Bafatá e Oio, junto de produtoras (incluindo-se igualmente um número restrito de produtores do sexo masculino) de culturas leguminosas, com base numa amostra de 160 indivíduos, selecionados aleatoriamente de um universo de 1063. Para uma adequada interpretação dos resultados, cumpre salientar que este modelo económico revela uma rentabilidade reduzida; contudo, constitui uma atividade que potencia a autonomia das mulheres face aos homens no espaço doméstico, contrariando o autoritarismo masculino vigente, dado que as decisões relativas à utilização dos lucros cabem às produtoras. Este contexto configura ainda um espaço de ação propício à afirmação da identidade social (e não meramente familiar) das mulheres, o que não deverá ser desconsiderado, ainda que, até ao momento, tal se manifeste apenas através da constituição de associações de produtoras. A matriz de dados e o ficheiro de observações qualitativas são propriedade da SWISSAID; todavia, as tabelas delas extraídas poderão ser disponibilizadas a investigadores que as venham a solicitar.
Citação:
Sangreman, C., & Melo, M. (2024). WOMEN’S AGRICULTURAL PRODUCTION IN GUINEA-BISSAU AS A MEANS OF STRENGTHENING THEIR IDENTITY. Ars Educandi, 21. https://doi.org/10.26881/ae.2024.21.05
African agency in geopolitical times: playing with EU and Chinese ontological security
Resumo
Em 2021, a União Europeia (UE) lançou a Global Gateway (GG). Esta nova estratégia europeia, no valor de 300 mil milhões de euros, pretende reforçar o envolvimento da UE em áreas como infraestruturas de transporte, energia verde e digitalização nos países em desenvolvimento. Espera-se que o continente africano beneficie de metade do montante previsto. Grande parte do debate nos últimos anos procurou dissecar as dimensões (geo)políticas, financeiras e económicas da GG, a partir da perspetiva de Bruxelas e dos decisores políticos dos Estados-Membros da UE. No entanto, muito pouco tem sido discutido sobre a forma como os decisores africanos percecionam a GG. Este artigo centrar-se-á, assim, na agência africana no contexto da GG e no quadro mais amplo das relações África–UE. Além disso, comparará esta agência com a que se verificou na última década das relações entre África e a China. Com base num quadro analítico de segurança ontológica, o artigo procura compreender as novas dinâmicas e contestações da agência africana nas relações do continente com a UE e a China, que têm sido ignoradas tanto pelas abordagens dominantes como pelas críticas nos estudos de política externa da UE.
Citação
Duggan, N., Haastrup, T., Hogan, J. J., Mah, L., & Bernardo, L. (2025). African agency in geopolitical times: playing with EU and Chinese ontological security. Third World Quarterly, 1–22. https://doi.org/10.1080/01436597.2025.2551134
Mozambique, 50 years (1975–2025): Does the struggle continue?
Resumo:
Este artigo revisita o célebre lema de Samora Machel, «A luta continua», para analisar os 50 anos da independência moçambicana (1975-2025). Sustenta que a luta anticolonial inicial se transformou numa série de conflitos internos prolongados. A partir da análise histórica e de uma perspectiva etnográfica de longo prazo, o artigo traça uma sequência de desafios: desde a viragem da FRELIMO para o marxismo-leninismo no pós-independência e a devastadora guerra civil com a RENAMO, até às pressões contemporâneas do capitalismo extrativista e à recente insurgência jihadista em Cabo Delgado. O artigo interpreta este último conflito como uma manifestação complexa de reivindicações locais expressas através de um idioma religioso. Conclui que, perante estas crises persistentes e uma eleição falhada em 2024, o lema revolucionário de Machel funciona agora como uma interrogação pungente sobre os dilemas contemporâneos ainda não resolvidos de Moçambique.
Citação:
Macagno, L. (2025), Mozambique, 50 years (1975–2025): Does the struggle continue?. Anthropology Today, 41: 21-24. https://doi.org/10.1111/1467-8322.70006
Claude Meillassoux dans la Révolution Mozambicaine
Resumo:
Este artigo nasceu de um projeto intitulado “Fontes para a História da Antropologia Económica: Claude Meillassoux em Moçambique”, que, entre janeiro e março de 2023, foi financiado pelo programa “Professor Visitante Sênior no Exterior” (Capes-Print-Ufpr – Capes 88887.757020/2022-00, Brasil). Diversas pessoas e instituições colaboraram nesta pesquisa durante seus três meses de duração. Agradeço aos meus colegas franceses que, estando próximos de Claude Meillassoux em algum momento de suas carreiras, me forneceram muitos conselhos e informações. Agradeço a Michel Cahen, Jacques Marchand, Antoine Bouillon, Ingolf Diener, Jean Copans, Michel Samuel, Jean-Loup Amselle e Christine Verschuur. É claro que quaisquer deficiências neste artigo são de minha exclusiva responsabilidade.
Citação:
Lorenzo Macagno, « Claude Meillassoux dans la révolution mozambicaine », L’Homme [En ligne], 253 | 2025, mis en ligne le 01 avril 2025, consulté le 18 août 2025. URL : http://journals.openedition.org/lhomme/51517 ; DOI : https://doi.org/10.4000/13olg
A Framework on Eudaimonic Well-Being in Destination Competitiveness
Resumo:
Esta investigação propõe um enquadramento teórico para o bem-estar eudaimónico na competitividade de destinos turísticos. Esse enquadramento baseia-se no modelo teórico de Ritchie e Crouch (1993, 2000, 2003) e na noção teórica recente de que uma viagem pode influenciar a satisfação com a vida através das experiências dos turistas. Realizámos um estudo qualitativo com base em 34 entrevistas em profundidade com intervenientes-chave do sector do turismo em Cabo Verde, um pequeno Estado insular em desenvolvimento (SIDS) dependente do sector turístico. Os resultados contribuem para identificar fontes específicas de efeitos positivos e negativos que podem influenciar o bem-estar geral de turistas e residentes e, assim, afetar a competitividade global do destino.
Citação:
Sarmento, E. M., Loureiro, S., Mendes, Z., Monteiro, J. M., & Fernandes, S. (2025). A Framework on Eudaimonic Well-Being in Destination Competitiveness. Tourism and Hospitality, 6(3), 135. https://doi.org/10.3390/tourhosp6030135
A Social Science Research Laboratory as a Mixed Methods on Human Rights in a Fragile State: Guinea-Bissau 2014–2024
Resumo:
Este estudo de caso descreve e reflete sobre um processo de investigação original sobre os Direitos Humanos Económicos e Sociais na Guiné-Bissau entre 2014 e 2024. A investigação em direitos humanos é multidisciplinar, com um maior peso da sociologia e da ciência política, uma vez que ambas estão intimamente ligadas através do seu enfoque nas estruturas sociais, nas instituições políticas e nos processos de governação e governo. No entanto, outras áreas como o direito, a história, a psicologia, a psicologia social, a economia e a antropologia também devem ser consideradas na definição de uma metodologia de investigação sobre este tema. O desafio deste estudo de caso é mostrar o que foi feito ao longo de 10 anos na busca de uma metodologia capaz de articular estas disciplinas, com a definição de diferentes amostras, a recolha de dados através de inquéritos presenciais, apresentações de resultados, debates, entrevistas e publicações, bem como a consideração de análises de outros temas colaterais, com o objetivo de produzir uma análise consistente e fundamentada.
O que esperamos partilhar, acima de tudo, são dois aspectos centrais da investigação em geral: em primeiro lugar, a concepção de uma metodologia é uma actividade que assenta numa lógica mais artesanal. Ou seja, deve ser pensada e concretizada com paciência, persistência e grande cuidado face a métodos “pré-formatados”. Em segundo lugar, quanto maior e mais complexo for o problema a investigar e o seu contexto social, mais tempo será necessário para uma investigação que responda de forma coerente e satisfatória às hipóteses formuladas.
São as respostas a estas questões metodológicas, procuradas ao longo dos anos, que esperamos sintetizar e apresentar neste capítulo.
Citação:
Turè, B., Sangreman, C., Faria, R., & Bäckström, B., (2025). A social science research laboratory as a mixed methods on human rights in a fragile state: guinea-bissau 2014–2024. In Sage Research Methods: Data and Research Literacy. SAGE Publications, Ltd., https://doi.org/10.4135/9781036217266
Entre eu e Deus by Yara Costa: An Unprecedented Representation of the Island of Mozambique
Resumo:
Este artigo tem como objetivo dissecar o documentário Entre eu e Deus, com o objetivo principal de demonstrar que a realizadora procura desafiar imagens, representações e percepções cristalizadas sobre a Ilha de Moçambique, a identidade cultural moçambicana e o fundamentalismo islâmico, conseguindo alcançar esse propósito. O artigo é composto por duas secções principais. A primeira oferece um breve contexto histórico da Ilha de Moçambique e examina algumas representações visuais que antecedem o documentário em análise. Nesta secção, presto particular atenção ao documentário de Licínio Azevedo sobre a Ilha de Moçambique, considerado um antecedente relevante da obra de Yara Costa. A segunda parte apresenta uma análise detalhada de Entre eu e Deus, demonstrando a representação inédita da Ilha de Moçambique pela realizadora.
Citação:
Falconi, J. (2024). Entre eu e Deus by Yara Costa: An Unprecedented Representation of the Island of Mozambique. Portuguese Studies 40(2), 175-188. https://dx.doi.org/10.1353/port.00014.
Claude Meillassoux em Moçambique: a propósito de uma carta a Marcelino dos Santos
Resumo:
Claude Meillassoux, fundador da antropologia econômica francesa, e Marcelino dos Santos, importante dirigente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), conheceram-se em Paris na década de 1950, quando ambos estudavam com o africanista Georges Balandier. Em 1977, ano da primeira visita de Meillassoux a Moçambique, essa relação se renovou, dessa vez sob uma chave crítica e polêmica. Naquele ano, a Frelimo se transformara em um partido de vanguarda “marxista-leninista” e estava prestes a criar uma série de organizações em prol da instauração do “poder popular” e do socialismo. Meillassoux viria a ser um observador atento desse processo. Este artigo reconstrói as vicissitudes da sua viagem, promovida pela cooperação franco-moçambicana e pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane. Imediatamente após a sua visita, Meillassoux endereçou a Marcelino dos Santos uma carta de alto teor crítico concernente aos rumos da revolução moçambicana. O artigo analisa, ademais, o conteúdo dessa carta e seus principais desdobramentos antropológicos e políticos.
Citação:
Macagno, L. (2024). Claude Meillassoux em Moçambique: a propósito de uma carta a Marcelino dos Santos. Estudos Ibero-Americanos, 50(1), e45089. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2024.1.45089