Arquivo de Estudos de Género - CEsA

Estudos de Género

Women’s Agricultural Production in Guinea-Bissau as a Means of Strengthening Their Identity


Resumo:

O presente artigo resulta do estudo realizado para a Cooperação Suíça na Guiné-Bissau sobre as mulheres horticultoras. A recolha de dados foi efetuada mediante inquéritos e entrevistas conduzidos nas regiões de Bissau, Biombo, Bafatá e Oio, junto de produtoras (incluindo-se igualmente um número restrito de produtores do sexo masculino) de culturas leguminosas, com base numa amostra de 160 indivíduos, selecionados aleatoriamente de um universo de 1063. Para uma adequada interpretação dos resultados, cumpre salientar que este modelo económico revela uma rentabilidade reduzida; contudo, constitui uma atividade que potencia a autonomia das mulheres face aos homens no espaço doméstico, contrariando o autoritarismo masculino vigente, dado que as decisões relativas à utilização dos lucros cabem às produtoras. Este contexto configura ainda um espaço de ação propício à afirmação da identidade social (e não meramente familiar) das mulheres, o que não deverá ser desconsiderado, ainda que, até ao momento, tal se manifeste apenas através da constituição de associações de produtoras. A matriz de dados e o ficheiro de observações qualitativas são propriedade da SWISSAID; todavia, as tabelas delas extraídas poderão ser disponibilizadas a investigadores que as venham a solicitar.

Citação:

Sangreman, C., & Melo, M. (2024). WOMEN’S AGRICULTURAL PRODUCTION IN GUINEA-BISSAU AS A MEANS OF STRENGTHENING THEIR IDENTITY. Ars Educandi, 21. https://doi.org/10.26881/ae.2024.21.05

Mundo Crítico n.º 11: Mulheres, Poder e Lideranças


Resumo:

Por muito que seja evidente que a participação equitativa na vida política é essencial nos processos de Desenvolvimento, infelizmente, um pouco em todo o lado, os dados mostram que as mulheres continuam a estar sub-representadas em todos os níveis de tomada de decisão e que a paridade de género ainda está longe de ser alcançada na vida política.

A relação com o poder e as possibilidades de aceder a posições de liderança é marcada quotidianamente por uma negociação constante entre o dentro e o fora de casa, seja qual for o contexto de acção das mulheres.

Neste número da Mundo Crítico, propõe-se uma leitura crítica e diversificada em termos de geografia e de épocas sobre a forma em que se articulam as relações entre as mulheres, o poder e os vários tipos de liderança, favorecendo assim uma leitura mais articulada dos mecanismos e dos valores em que assenta o funcionamento das sociedades.

Na Conversa imperfeita as historiadoras Ana Paula Tavares e Patrícia Godinho Gomes falam dos desafios que as mulheres enfrentam no quotidiano nos países africanos focando-se no conceito de geração e na importância da participação feminina no processo de construção das nações hoje independentes.

Outros contributos reflectem sobre as dificuldades de acesso ao poder das mulheres em escala mundial e de como a sua participação se configura na política ao nível de contextos mais informais onde elas criam também condições para a sua sobrevivência.

O ensaio fotográfico de Dário Pequeno Paraíso Para um novo Tchiloli, mostra como é possível reinventar e renovar a tradição, mostrando retratos de jovens mulheres de São Tomé e Príncipe que traduzem no feminino uma das expressões mais típicas do arquipélago.

Citação:

ACEP & CEsA (2025). “Mulheres, Poder e Lideranças”. ISEG/CEsA – Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento. Revista Mundo Crítico nº 11 (Jan 2025). ISSN 2184-1926

African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império


Resumo:

Este artigo compara as trajetórias de diferentes mulheres que cruzaram a Casa dos Estudantes do Império (CEI), uma instituição formal criada em Lisboa por estudantes das colônias com o apoio do regime ditatorial português em 1944, que se tornou uma plataforma para o anticolonialismo. Devido ao papel desempenhado pela CEI nos percursos políticos e sociais dos líderes dos movimentos de libertação nacional africanos, a historiografia tem privilegiado relatos masculinos. Em contrapartida, os papéis e a vida das mulheres vinculadas à CEI permanecem inexplorados ou abordados a partir de uma visão de “nacionalismo metodológico”, com poucas exceções. Abordar estas trajetórias a partir de uma perspetiva transnacional e “afro-ibérica” e através do escrutínio de diversas fontes permite-nos refletir sobre uma diversidade de género, raça, classe e ideologia política. O objectivo final é iluminar alguns aspectos do mosaico afro-ibérico a partir de uma perspectiva de género e pós-colonial.

Citação:

Falconi, J. (2024). African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império In: Ethnicity and Gender in Portugal and Spain. volume 47, issue 7 (2024), pp. 1403-1419

Working Paper 197/2024: La Production Agricole des Femmes en Guiné-Bissau comme Moyen d´Afirmation de son Identité


Resumo:

Este Working Paper é um produto intermédio do estudo feito para a Cooperação Suíça na Guiné-Bissau, escrito em francês sem nenhum ponto em português. O que demonstra bem como os princípios de restituição e apropriação por parte das pessoas ou instituições que acedem a responder a inquéritos ou entrevistas, são palavras que não se traduzem em ações concretas para esta Cooperação. Os dados foram obtidos por inquéritos e entrevistas nas regiões de Bissau, Biombo, Bafatá e Oio, junto das produtoras (que incluem também um número restrito de produtores homens) de produtos agrícolas leguminosos, numa amostra de 160 pessoas escolhidas aleatoriamente. Por opção do promotor o estudo concentrou-se na comercialização de produtos e não na produção. Para entender melhor os resultados, deve dizer-se que este modelo de negócio não é muito lucrativo, mas, é uma atividade que dá uma maior independência das mulheres em relação aos homens no espaço familiar, pois as decisões sobre o uso dos lucros pertencem às produtoras. Tem além disso um potencial de ambiente de ação para a afirmação da identidade social (e não apenas familiar) das mulheres que não se deve desprezar embora, tanto quanto conseguimos perceber, tal se expresse para já apenas na organização de associações de produtoras.

Citação:

Sangreman, C. e Melo, M. (2024). “La Production Agricole Des Femmes En Guiné-Bissau Comme Moyen D´Afirmation De Son Identité”. Instituto Superior de Economia e Gestão – CEsA/CGS – Documentos de trabalho nº 197/2024

African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império, Ethnic and Racial Studies


Resumo:

Este artigo compara as trajetórias de diferentes mulheres que cruzaram a Casa dos Estudantes do Império (CEI), uma instituição formal criada em Lisboa por estudantes das colônias com o apoio do regime ditatorial português em 1944, que se tornou uma plataforma para o anticolonialismo. Devido ao papel desempenhado pela CEI nos percursos políticos e sociais dos líderes dos movimentos de libertação nacional africanos, a historiografia tem privilegiado relatos masculinos. Em contrapartida, os papéis e a vida das mulheres vinculadas à CEI permanecem inexplorados ou abordados a partir de uma visão de “nacionalismo metodológico”, com poucas exceções. Abordar estas trajetórias a partir de uma perspetiva transnacional e “afro-ibérica” e através do escrutínio de diversas fontes permite-nos refletir sobre uma diversidade de género, raça, classe e ideologia política. O objectivo final é iluminar alguns aspectos do mosaico afro-ibérico a partir de uma perspectiva de género e pós-colonial.

Citação:

Jessica Falconi (2023) African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império, Ethnic and Racial Studies, DOI: 10.1080/01419870.2023.2289141

Literatura colonial de autoria feminina: O Último Batuque, de Maria do Céu Coelho

Literatura colonial de autoria feminina: O Último Batuque, de Maria do Céu Coelho


Resumo:

A literatura colonial portuguesa escrita por mulheres tem recebido escassa atenção nos estudos literários e culturais lusófonos. A exceção mais relevante, neste âmbito, é o caso de Maria Archer, autora de um número significativo de textos de ficção e não ficção de ambientação e temática colonial que receberam diversas leituras e análises. Em particular, os trabalhos de Ferreira sobre a escrita de autoria feminina e as conexões entre género, nação e império foram pioneiros em abordar esta produção de acordo com um quadro teórico integrado, capaz de iluminar trânsitos materiais e simbólicos e reverberações identitárias entre a Nação e o Império, em linha com os paradigmas da historiografia colonial e feminista da década de 1990. Literatura colonial de autoria feminina: O Último Batuque, de Maria do Céu Coelho, pretende aprofundar e alargar o conhecimento da escrita das mulheres portuguesas sobre temática colonial, proporcionando uma leitura do livro O último batuque (1963) de Maria do Céu Coelho, publicado em Moçambique em princípios da década de 1960. Trata-se de uma obra singular, por focar o tópico eminentemente masculino da caça a partir da perspetiva de uma mulher, e também por ser um livro híbrido que combina a escrita memorialística e breves novelas sobre o universo rural do Moçambique colonial. O artigo discute algumas das caraterísticas essenciais da literatura colonial portuguesa, tal como tem vindo a ser conceitualizada por diversos autores em estudos anteriores. Recorrendo também à vasta bibliografia sobre as articulações entregénero, império e colonialismo, o artigo procura equacionar o posicionamento da autora no corpus da literatura colonial, bem como refletir sobre o modo como a sua escrita literária articula raça e género.

 

Citação:

Falconi, Jessica (2021) “Literatura colonial de autoria feminina: O Último Batuque, de Maria do Céu Coelho,” Portuguese Cultural Studies: Vol. 7: Iss. 1, Article 4.

East Timorese Literary Narratives (Twenty-First Century): Indian Ocean Crossings and Littoral Encounters

East Timorese Literary Narratives (Twenty-First Century): Indian Ocean Crossings and Littoral Encounters


Resumo:

O objetivo de East Timorese Literary Narratives (Twenty-First Century): Indian Ocean Crossings and Littoral Encounters é analisar o livro Requiem para o Navegador Solitário (2007) de Luís Cardoso considerando os elementos marítimos que emergem no romance e combinando os Estudos do Oceano Índico com os Estudos de Género. Apontando para o imaginário timorense e a perspectiva da protagonista feminina, centrar-nos-emos nos elementos relacionados com a costa da ilha, tais como a costa, o mar, os navios, os marinheiros, e a interligação com outras ilhas e territórios durante o período colonial. De facto, acreditamos que estes elementos integram não só o espaço geográfico da narrativa, mas também o imaginário literário, como é o caso, por exemplo, dos recursos metafóricos e da construção da personagem principal, Catarina. Considerando que Timor Leste se situa na orla oriental do Oceano Índico e tendo em conta a teoria teórica de Indian Ocean Studics, pretendemos demonstrar que neste romance o oceano constitui um repertório transcontinental visual e metafórico que se relaciona com o próprio imaginário cultural timorense. Analisaremos a ligação entre a trajectória existencial de Catarina, a protagonista feminina do romance, a história de Timor Leste e as travessias do Oceano Índico. Este texto, escrito em português por um autor timorense, retrata a complexa história deste território durante a Segunda Guerra Mundial e oferece uma perspectiva única sobre a história timorense.

 

Citação:

Spinuzza, G. (2021). East Timorese Literary Narratives (Twenty-First Century): Indian Ocean Crossings and Littoral Encounters. Portuguese Studies 37(2), 242-255. doi:10.1353/port.2021.0017.

The Routledge Handbook on EU-Africa Relations

The Routledge Handbook of EU-Africa Relations


Resumo:

Este manual fornece uma visão abrangente da dinâmica em mudança na relação entre o continente africano e a UE, fornecida pelos principais peritos na matéria. Estruturado em cinco partes, o manual fornece um olhar incisivo sobre o passado, o presente e o futuro potencial das relações UE-África. Os capítulos de vanguarda abrangem temas como o multilateralismo, assistência ao desenvolvimento, instituições, igualdade de género e ciência e tecnologia, entre outros. Investigado exaustivamente, este livro fornece reflexões originais a partir de uma diversidade de perspectivas conceptuais e teóricas, de especialistas em África, Europa e mais além. O manual oferece assim análises ricas e abrangentes da política global contemporânea, tal como se manifesta em África e na Europa. O Routledge Handbook of EU-Africa Relations será uma referência essencial para académicos, estudantes, investigadores, decisores políticos e profissionais interessados e que trabalham em diversos campos dentro das (sub)disciplinas dos estudos africanos e da UE, política europeia e estudos internacionais. The Routledge Handbook of EU-Africa Relations, de Luís Mah, Nial Duggan e Toni Haastrup faz parte da mini-série Europe in the World Handbooks examining EU-regional relations e foi estabelecido pelo Professor Wei Shen.

 

Citação:

Mah, Luís, Duggan, Nial & Haastrup, Toni (2021). The Routledge Handbook of EU-Africa Relations. Routledge. ISBN 9781315170916.

Declinações: Identidades de Género e Construção da Nação em Filmes de Licínio Azevedo

Declinações: Identidades de Género e Construção da Nação em Filmes de Licínio Azevedo


Resumo:

Declinações: Identidades de Género e Construção da Nação em Filmes de Licínio Azevedo aborda a representação das diferenças de gênero na construção da nação em Moçambique em dois filmes de ficção do cineasta brasileiro-moçambicano Licínio Azevedo, a saber: Virgem Margarida (2012) e Comboio de Sal e Açúcar (2017). Focando momentos distintos da história de Moçambique, os filmes abordam aspetos pouco explorados das crises e das mudanças históricas, políticas, sociais e culturais vividas pelo novo país independente. Virgem Margarida foca, em particular, a experiência dos campos de reeducação vivida pelas mulheres, enquanto que em Comboio de Sal e Açúcar sobressaem as personagens masculinas do exército da Frelimo envolvidas na guerra civil. As duas películas apostam numa representação dos gêneros – entendidos como construções sociais e culturais – capaz de dar conta das suas diferenças, estilhaçando, assim, por um lado a imagem monolítica da Mulher, e por outro a própria identidade nacional moçambicana. Representam-se, nos filmes, várias e possíveis “decliNações”, entendidas aqui de acordo com os múltiplos sentidos encerrados pela palavra: recusas, desvios, ou ainda, “flexões de gênero, número”, etc., da Nação.

 

Citação:

Falconi, J. (2019). Declinações: Identidades de Género e Construção da Nação em Filmes de Licínio Azevedo. Perspectiva Histórica 13: 81-105. http://www.perspectivahistorica.com.br/revistas/1563933990.pdf

Entre silêncios e interferências: mulheres na imprensa periódica colonial

Entre Silêncios e Interferências: Mulheres na imprensa periódica colonial


Resumo:

Abordar a presença das mulheres na imprensa periódica colonial do antigo império português significa tentarmos definir, ainda que provisoriamente, os aspetos principais do «objeto» de reflexão proposto no dossier que se apresenta. Em primeiro lugar, ao propormos uma abordagem conjunta, sob o termo «colonial», da imprensa periódica publicada tanto na antiga metrópole, quanto nos diversos espaços colonizados por Portugal, apontamos para algumas perspetivas da historiografia sobre os colonialismos europeus que têm vindo a estilhaçar as visões polarizadas, analisando as reverberações sociais e políticas entre metrópoles e colónias, os trânsitos de ideias e imaginários, bem como a dimensão «fabricada» da diferença (Burton 1994; Cooper e Stoler 1997). O dossiê resulta do painel «As ‘mulheres’ e a imprensa periódica colonial» organizado no âmbito do Congresso Internacional Política e Cultura na Imprensa Periódica Colonial, que teve lugar de 22 a 25 de maio de 2017, junto do CHAM-Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com o CEI-IUL-Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa e o CEC-Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O Congresso foi uma iniciativa do Grupo Internacional de Estudos da Imprensa Periódica Colonial do Império Português, criado por Sandra Ataíde Lobo (CHAM-UNL), Adelaide Vieira Machado (CHAM-UNL) e Cátia Miriam Costa (CEI-IUL). Ao Grupo aderiram várias entidades e investigadoras e investigadores de diversos centros de pesquisa.

 

Citação:

“Falconi, J.; Wieser, D. (2019). Entre silêncios e interferências: mulheres na imprensa periódica colonial, Revista ex aequo- Revista da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres, n. 39. https://doi.org/10.22355/. exaequo.2019.39.01.10.22355/”


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