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Estudos Africanos

Working Paper 207/2025: The Historical Constraints of Africa South-South Cooperation: 30 years of TICAD through the lenses of South-South-Triangular Cooperation


Resumo

Baseando-se nos conceitos de autossuficiência e auto-ajuda, este artigo contribui para a literatura sobre a cooperação Sul-Sul e Triangular, primeiro para compreender o seu significado conceptual; em segundo, entender as razões históricas pelas quais a cooperação sul-sul não avançou em África; e terceiro, examina o contributo da cooperação triangular ao longo de três décadas da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD) para reduzir a marginalização de África e a sua dependência da ajuda. Com recurso a uma abordagem qualitativa e cronológica e a uma análise cruzada de relatórios, documentos e literatura secundária, aproximadamente de 1960 a 2022, concluímos que o papel do TICAD não só contribuiu para mudanças estruturais no desenvolvimento em África através da agenda sul-sul e cooperação triangular, como também redefiniu o paradigma da assistência ao desenvolvimento com base nos princípios do TICAD, tornando-se assim parte da Agenda Global para o Desenvolvimento.

Citação

Amakasu Raposo de Medeiros Carvalho, Pedro Miguel (2025). “The Historical Constraints of Africa South-South Cooperation: 30 years of TICAD through the lenses of South-South-Triangular Cooperation”. CEsA/ISEG Research – Documentos de trabalho nº 207/2025

Women’s Agricultural Production in Guinea-Bissau as a Means of Strengthening Their Identity


Resumo:

O presente artigo resulta do estudo realizado para a Cooperação Suíça na Guiné-Bissau sobre as mulheres horticultoras. A recolha de dados foi efetuada mediante inquéritos e entrevistas conduzidos nas regiões de Bissau, Biombo, Bafatá e Oio, junto de produtoras (incluindo-se igualmente um número restrito de produtores do sexo masculino) de culturas leguminosas, com base numa amostra de 160 indivíduos, selecionados aleatoriamente de um universo de 1063. Para uma adequada interpretação dos resultados, cumpre salientar que este modelo económico revela uma rentabilidade reduzida; contudo, constitui uma atividade que potencia a autonomia das mulheres face aos homens no espaço doméstico, contrariando o autoritarismo masculino vigente, dado que as decisões relativas à utilização dos lucros cabem às produtoras. Este contexto configura ainda um espaço de ação propício à afirmação da identidade social (e não meramente familiar) das mulheres, o que não deverá ser desconsiderado, ainda que, até ao momento, tal se manifeste apenas através da constituição de associações de produtoras. A matriz de dados e o ficheiro de observações qualitativas são propriedade da SWISSAID; todavia, as tabelas delas extraídas poderão ser disponibilizadas a investigadores que as venham a solicitar.

Citação:

Sangreman, C., & Melo, M. (2024). WOMEN’S AGRICULTURAL PRODUCTION IN GUINEA-BISSAU AS A MEANS OF STRENGTHENING THEIR IDENTITY. Ars Educandi, 21. https://doi.org/10.26881/ae.2024.21.05

African agency in geopolitical times: playing with EU and Chinese ontological security


Resumo

Em 2021, a União Europeia (UE) lançou a Global Gateway (GG). Esta nova estratégia europeia, no valor de 300 mil milhões de euros, pretende reforçar o envolvimento da UE em áreas como infraestruturas de transporte, energia verde e digitalização nos países em desenvolvimento. Espera-se que o continente africano beneficie de metade do montante previsto. Grande parte do debate nos últimos anos procurou dissecar as dimensões (geo)políticas, financeiras e económicas da GG, a partir da perspetiva de Bruxelas e dos decisores políticos dos Estados-Membros da UE. No entanto, muito pouco tem sido discutido sobre a forma como os decisores africanos percecionam a GG. Este artigo centrar-se-á, assim, na agência africana no contexto da GG e no quadro mais amplo das relações África–UE. Além disso, comparará esta agência com a que se verificou na última década das relações entre África e a China. Com base num quadro analítico de segurança ontológica, o artigo procura compreender as novas dinâmicas e contestações da agência africana nas relações do continente com a UE e a China, que têm sido ignoradas tanto pelas abordagens dominantes como pelas críticas nos estudos de política externa da UE.

Citação

Duggan, N., Haastrup, T., Hogan, J. J., Mah, L., & Bernardo, L. (2025). African agency in geopolitical times: playing with EU and Chinese ontological security. Third World Quarterly, 1–22. https://doi.org/10.1080/01436597.2025.2551134

 

Circuitos de Comercialização Informal de Produtos Agrícolas na Guiné-Bissau: Relatório de Análise


Resumo:

Este livro analisa os circuitos informais de comercialização de produtos agrícolas na Guiné-Bissau com base numa investigação de terreno realizada em todas as regiões do país. Através de dados quantitativos e qualitativos, o estudo revela estratégias, desafios e lógicas de funcionamento adotadas por vendedores — sobretudo mulheres — que asseguram o abastecimento urbano e a subsistência de milhares de famílias. Com enfoque na economia informal feminina, evidencia práticas de resistência, solidariedade comunitária e exclusão. O livro oferece ainda recomendações para políticas públicas que reconheçam e valorizem este setor vital.

Citação:

Sangreman, C., & Vaz, J. (2025, agosto). Circuitos de comercialização informal de produtos agrícolas na Guiné-Bissau: Relatório de análise. Lisboa: CEsA/ISEG Research/ISEG. ISBN 978-989-54687-7-5

Mozambique, 50 years (1975–2025): Does the struggle continue?


Resumo:

Este artigo revisita o célebre lema de Samora Machel, «A luta continua», para analisar os 50 anos da independência moçambicana (1975-2025). Sustenta que a luta anticolonial inicial se transformou numa série de conflitos internos prolongados. A partir da análise histórica e de uma perspectiva etnográfica de longo prazo, o artigo traça uma sequência de desafios: desde a viragem da FRELIMO para o marxismo-leninismo no pós-independência e a devastadora guerra civil com a RENAMO, até às pressões contemporâneas do capitalismo extrativista e à recente insurgência jihadista em Cabo Delgado. O artigo interpreta este último conflito como uma manifestação complexa de reivindicações locais expressas através de um idioma religioso. Conclui que, perante estas crises persistentes e uma eleição falhada em 2024, o lema revolucionário de Machel funciona agora como uma interrogação pungente sobre os dilemas contemporâneos ainda não resolvidos de Moçambique.

Citação:

Macagno, L. (2025), Mozambique, 50 years (1975–2025): Does the struggle continue?. Anthropology Today, 41: 21-24. https://doi.org/10.1111/1467-8322.70006

Claude Meillassoux dans la Révolution Mozambicaine


Resumo:

Este artigo nasceu de um projeto intitulado “Fontes para a História da Antropologia Económica: Claude Meillassoux em Moçambique”, que, entre janeiro e março de 2023, foi financiado pelo programa “Professor Visitante Sênior no Exterior” (Capes-Print-Ufpr – Capes 88887.757020/2022-00, Brasil). Diversas pessoas e instituições colaboraram nesta pesquisa durante seus três meses de duração. Agradeço aos meus colegas franceses que, estando próximos de Claude Meillassoux em algum momento de suas carreiras, me forneceram muitos conselhos e informações. Agradeço a Michel Cahen, Jacques Marchand, Antoine Bouillon, Ingolf Diener, Jean Copans, Michel Samuel, Jean-Loup Amselle e Christine Verschuur. É claro que quaisquer deficiências neste artigo são de minha exclusiva responsabilidade.

Citação:

Lorenzo Macagno, « Claude Meillassoux dans la révolution mozambicaine »L’Homme [En ligne], 253 | 2025, mis en ligne le 01 avril 2025, consulté le 18 août 2025. URL : http://journals.openedition.org/lhomme/51517 ; DOI : https://doi.org/10.4000/13olg

A Social Science Research Laboratory as a Mixed Methods on Human Rights in a Fragile State: Guinea-Bissau 2014–2024


Resumo:

Este estudo de caso descreve e reflete sobre um processo de investigação original sobre os Direitos Humanos Económicos e Sociais na Guiné-Bissau entre 2014 e 2024. A investigação em direitos humanos é multidisciplinar, com um maior peso da sociologia e da ciência política, uma vez que ambas estão intimamente ligadas através do seu enfoque nas estruturas sociais, nas instituições políticas e nos processos de governação e governo. No entanto, outras áreas como o direito, a história, a psicologia, a psicologia social, a economia e a antropologia também devem ser consideradas na definição de uma metodologia de investigação sobre este tema. O desafio deste estudo de caso é mostrar o que foi feito ao longo de 10 anos na busca de uma metodologia capaz de articular estas disciplinas, com a definição de diferentes amostras, a recolha de dados através de inquéritos presenciais, apresentações de resultados, debates, entrevistas e publicações, bem como a consideração de análises de outros temas colaterais, com o objetivo de produzir uma análise consistente e fundamentada.

O que esperamos partilhar, acima de tudo, são dois aspectos centrais da investigação em geral: em primeiro lugar, a concepção de uma metodologia é uma actividade que assenta numa lógica mais artesanal. Ou seja, deve ser pensada e concretizada com paciência, persistência e grande cuidado face a métodos “pré-formatados”. Em segundo lugar, quanto maior e mais complexo for o problema a investigar e o seu contexto social, mais tempo será necessário para uma investigação que responda de forma coerente e satisfatória às hipóteses formuladas.

São as respostas a estas questões metodológicas, procuradas ao longo dos anos, que esperamos sintetizar e apresentar neste capítulo.

Citação:

Turè, B., Sangreman, C., Faria, R., & Bäckström, B., (2025). A social science research laboratory as a mixed methods on human rights in a fragile state: guinea-bissau 2014–2024. In Sage Research Methods: Data and Research Literacy. SAGE Publications, Ltd., https://doi.org/10.4135/9781036217266

Working Paper 204/2025: Insegurança e Terrorismo na Região do Sahel


Resumo:

Se Terrorismo é violência política exercida sobre civis ou pessoas desarmadas, tanto pode ser empregue por um Estado autocrático, como ser instrumental na atividade subversiva de grupos paramilitares que procuram derrubar governos ou alterar o sistema vigente. É fenómeno distinto de guerra ou de guerrilha, embora possa ser recurso disponível num conflito híbrido que também inclua mercenários e milícias. O artigo confere exemplos de insegurança e de terrorismo no Sahel. Analisa grupos jihadistas que recorrem a atividades coercivas e que abusam de povos vulneráveis, conservadores ou fundamentalistas, com vista a alcançar objetivos político-religiosos, assim manipulando palcos estratégicos complexos, com repercussões desastrosas para o presente e para futuro dos países envolvidos. Recorreu-se a bibliografia secundária para a investigação e análise científica, procurando abordagem inovadora e multifatorial para explicar fenómeno difícil de erradicar no Sahel, pelas razões devidamente identificadas para o efeito.

Citação:

Galito, Maria Sousa (2025). “Insegurança e Terrorismo na Região do Sahel”. CEsA/ISEG Research – Documentos de trabalho nº 204/2025

Livro de Atas – III EJICPLP África: A ciência para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030


Resumo:

É com grande satisfação que apresentamos, os resultados do 3º Encontro de Jovens Investigadores da CPLP sobre África realizado, em Luanda, nos dias 27 e 28 de março de 2024. Este evento, que já se consolidou como uma plataforma essencial para a ciência e o desenvolvimento no espaço da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), reuniu mais de 700 participantes em torno do tema “A ciência para a realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030” gerando um ambiente fértil de troca de ideias, reflexões e colaborações. Com cerca de 30 oradores, investigadores seniores, expertises e altos representantes institucionais nacionais e internacionais de várias áreas de estudo discutiu-se 8 painéis temáticos, para aprofundar o conhecimento de África e do seu desenvolvimento sustentável nas áreas do Turismo, Energia, Educação, Economia, e da Mulher Africana. Abordou questões cruciais para a erradicação da pobreza, a proteção do meio ambiente e a prosperidade social. Esta edição destacou o papel da ciência na transformação das realidades africanas, refletindo sobre a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no contexto do Sul Global. A importância deste Encontro vai além dos números expressivos de participantes ou das discussões acaloradas que marcaram os dois dias de atividades. O Encontro é um fórum científico único para jovens de toda a CPLP e reúne uma rede vibrante de investigadores em um formato itinerante e inovador. Ele representa o esforço coletivo de jovens investigadores em dar voz a questões que afetam diretamente o desenvolvimento e o futuro dos seus países, fortalecendo o protagonismo científico da juventude da CPLP. Nesta edição foram apresentadas 35 comunicações científicas de jovens investigadores, entre os 65 trabalhos científicos recebidos, através da Call for Papers, selecionados pelo Conselho Científico, composto por 30 professores das diversas Universidades dos países da CPLP. Este livro é mais do que uma simples coletânea de artigos; ele representa a dedicação dos jovens investigadores que trabalham para redefinir o papel da ciência nas suas sociedades. Através das discussões e análises aqui presentes, espera-se inspirar não só novos debates, mas também ações concretas em prol de um desenvolvimento inclusivo e sustentável nos países da CPLP. Com o apoio fundamental do Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA) e de organizações parceiras como o Ministério de Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola e a Felcos Umbria, esta edição também demonstra o valor da colaboração e das parcerias internacionais fucrais para o sucesso deste projeto. Desejamos que estas páginas ofereçam uma perspetiva enriquecedora sobre as contribuições científicas da juventude em língua portuguesa, mas também ações concretas em prol de um desenvolvimento inclusivo e sustentável, nomeadamente, nos PALOP. Acreditamos que este livro seja um marco no caminho para uma ciência mais aberta, colaborativa e transformadora.

Citação:

D’Abril, Cristina Molares e Jessica Falconi (2024). “III EJICPLP África: A ciência para a realização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030”. ISBN: 978-989-54687-6-8

Brief Paper 1/2024: Reposicionamento do activismo político e social em Moçambique: Uma análise conjecturando a eclosão de conflitos sociopolíticos


Resumo:

Este Brief Paper fala sobre o reposicionamento do activismo político e social em Moçambique, num contexto massivamente marcado pela participação da cidadania activa nos pleitos eleitorais de 2023, contrariando a tendência dos pleitos passados, na sua maioria marcados por fraco activismo político e social. Neste contexto, este Brief Paper defende o argumento segundo o qual, o reposicionamento está associado ao facto de que a população moçambicana ganhou nova consciência política e social, caracterizadas pela busca da verdade e da autenticidade dos seus governantes. Este reposicionamento inclui igualmente a disposição da população de enfrentar o poder do Estado e acarreta dois domínios de análise com consequências nefastas para o governo moçambicano, respetivamente: domínio doméstico e domínio externo. Isto ocorre porque a população tende a perder medo em relação à repressão levada à cabo através da polícia e dos militares. Além disso, neste reposicionamento se despertou a existência de um conflito latente e vigente entre o actual governo de Moçambique e a geração 1990-2000. Do ponto de vista metodológico, dois instrumentos apoiaram esta análise: técnica bibliográfica e técnica documental. Em termos teóricos, este Brief Paper foi lido à luz da teoria das Necessidades Básicas de Maslow, em conjugação com a teoria de Frustração e Agressão de estudos de conflitos. Por fim, as conjecturas feitas neste Brief Paper indicam que o actual governo da Frelimo perdeu legitimidade aos olhos do povo, sobretudo para a geração 1990-2000. Entretanto, há ainda conjecturas cuja assunção é de que a Frelimo goza de uma legitimidade assente em duas perspectivas de análise, respectivamente: uma perspectiva tradicional e outra perspectiva Institucional. As duas perspectivas se complementam e justificam a permanência da Frelimo no poder.

Citação:

Chisseve, Delton (2024). “Reposicionamento do activismo político e social em Moçambique : uma análise conjecturando a eclosão de conflitos sociopolíticos”. CEsA/CGS – Brief Papers nº 1/2024


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