Arquivo de Espaço Lusófono - CEsA

Espaço Lusófono

Working Paper 197/2024: La Production Agricole des Femmes en Guiné-Bissau comme Moyen d´Afirmation de son Identité


Resumo:

Este Working Paper é um produto intermédio do estudo feito para a Cooperação Suíça na Guiné-Bissau, escrito em francês sem nenhum ponto em português. O que demonstra bem como os princípios de restituição e apropriação por parte das pessoas ou instituições que acedem a responder a inquéritos ou entrevistas, são palavras que não se traduzem em ações concretas para esta Cooperação. Os dados foram obtidos por inquéritos e entrevistas nas regiões de Bissau, Biombo, Bafatá e Oio, junto das produtoras (que incluem também um número restrito de produtores homens) de produtos agrícolas leguminosos, numa amostra de 160 pessoas escolhidas aleatoriamente. Por opção do promotor o estudo concentrou-se na comercialização de produtos e não na produção. Para entender melhor os resultados, deve dizer-se que este modelo de negócio não é muito lucrativo, mas, é uma atividade que dá uma maior independência das mulheres em relação aos homens no espaço familiar, pois as decisões sobre o uso dos lucros pertencem às produtoras. Tem além disso um potencial de ambiente de ação para a afirmação da identidade social (e não apenas familiar) das mulheres que não se deve desprezar embora, tanto quanto conseguimos perceber, tal se expresse para já apenas na organização de associações de produtoras.

Citação:

Sangreman, C. e Melo, M. (2024). “La Production Agricole Des Femmes En Guiné-Bissau Comme Moyen D´Afirmation De Son Identité”. Instituto Superior de Economia e Gestão – CEsA/CGS – Documentos de trabalho nº 197/2024

From Angola to Portugal: Narrating Migration, Memory and Identity in Djaimilia Pereira de Almeida’s Work


Resumo:

Partindo das perspetivas teóricas dos Estudos Pós-coloniais Lusófonos, em diálogo com outras ferramentas analíticas dos Estudos Feministas, este capítulo pretende explorar os temas da migração, da memória e da identidade através da leitura atenta de duas obras de ficção da escritora portuguesa de ascendência africana Djaimilia Pereira de Almeida (1982), que nasceu em Angola e cresceu em Portugal. Na autoficção Esse Cabelo (2015), bem como no romance Lisboa, Luanda, Paraíso (2018), as personagens principais deslocam-se de Angola para Portugal por motivos pessoais ou familiares e procuram redefinir as suas identidades. Dão voz a memórias e narrativas que envolvem as relações entre o passado colonial e a construção de identidades pós-coloniais contemporâneas. Em particular, o capítulo analisa a representação do local de origem e de chegada para retratar as complexas paisagens de identidade sociocultural e migratória que surgiram durante o colonialismo português, bem como após a descolonização na África Lusófona (1975). Neste sentido, incluindo também uma breve leitura do mais recente romance de Almeida, Maremoto (2018), o capítulo dá especial atenção às percepções e experiências da cidade de Lisboa por parte de narradores e protagonistas imigrantes, de forma a reflectir sobre as configurações contemporâneas de uma cidade pós-colonial na periferia da Europa.

 

Citação:

Falconi, Jessica (2024) “From Angola to Portugal: Narrating Migration, Memory and Identity in Djaimilia Pereira de Almeida’s Work” in S. Gintsburg & R. Breeze (eds) Afriacan Migration: Traversing Hybrid Landscapes. Lanham: Lexington Books, p. 15-35.
https://rowman.com/ISBN/9781666938708/African-Migrations-Traversing-Hybrid-Landscapes

African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império, Ethnic and Racial Studies


Resumo:

Este artigo compara as trajetórias de diferentes mulheres que cruzaram a Casa dos Estudantes do Império (CEI), uma instituição formal criada em Lisboa por estudantes das colônias com o apoio do regime ditatorial português em 1944, que se tornou uma plataforma para o anticolonialismo. Devido ao papel desempenhado pela CEI nos percursos políticos e sociais dos líderes dos movimentos de libertação nacional africanos, a historiografia tem privilegiado relatos masculinos. Em contrapartida, os papéis e a vida das mulheres vinculadas à CEI permanecem inexplorados ou abordados a partir de uma visão de “nacionalismo metodológico”, com poucas exceções. Abordar estas trajetórias a partir de uma perspetiva transnacional e “afro-ibérica” e através do escrutínio de diversas fontes permite-nos refletir sobre uma diversidade de género, raça, classe e ideologia política. O objectivo final é iluminar alguns aspectos do mosaico afro-ibérico a partir de uma perspectiva de género e pós-colonial.

Citação:

Jessica Falconi (2023) African women’s trajectories and the Casa dos Estudantes do Império, Ethnic and Racial Studies, DOI: 10.1080/01419870.2023.2289141

Os Ismailis Lusófonos, os Aga Khan e Portugal: mais de um século de história (Sec xix-xxi)


Resumo (em francês):

La commémoration en 2018 du soixantième anniversaire de l’accession à l’Imamat de Aga Khan IV, son Altesse Prince Karim al Husseini, chef spirituel des Ismailis vivant dans plus de 25 pays, a constitué un moment particulier, surtout pour ses fidèles établis au Portugal et en Espagne. Si les relations récentes de leur Imam avec le gouvernement portugais méritent pleinement d’être évoquées, il faut remonter en arrière à plus d’un siècle et rappeler à la fois l’histoire de la communauté ismaili alors installée au Mozambique, et les liens établis par les Aga Khan III et IV avec l’Empire portugais.

Citação:

Nicole Khouri y Joana Pereira Leite, «Os Ismailis Lusófonos, os Aga Khan e Portugal: mais de um século de história (Sec xix-xxi)», Mélanges de la Casa de Velázquez [En línea], 53-2 | 2023, Publicado el 24 noviembre 2023, consultado el 07 diciembre 2023. URL: http://journals.openedition.org/mcv/20283; DOI: https://doi.org/10.4000/mcv.20283

A Entrevista e os Estudos das Literaturas Africanas em Português


Resumo:

Este artigo defende que os livros de entrevistas fazem parte, “de pleno direito”, da história e da biblioteca crítica das literaturas africanas de língua portuguesa. Referimo-nos, em particular, à coleção de entrevistas Encontros com escritores de Michel Laban, publicada entre 1991 e 2002, e ao volume de depoimentos de escritores moçambicanos Vozes moçambicanas. Literatura e nacionalidade de Patrick Chabal, publicado em 1994. Trata-se de contribuições incontornáveis para a construção dos estudos das literaturas africanas de língua portuguesa que veicularam importantes mapeamentos dos espaços literários nacionais africanos. Partindo de uma introdução sobre a entrevista literária, procura-se compreender de que modo estes investigadores conceberam a entrevista como forma de construção do conhecimento em contextos literários e culturais periféricos, emergidos da dominação colonial. Consideram-se também outras experiências análogas e mais recentes para se refletir sobre a atual relevância da entrevista nos estudos destas literaturas.

 

Citação:

FALCONI, J. A entrevista e os estudos das literaturas africanas em português. Revista Mulemba, v. 15, n. 28, p. 24-45, 2023. doi: https://doi.org/10.35520/mulemba.2023.v15n28a56710

História de São Tomé e Príncipe de Meados do Século XIX ao Fim do Regime Colonial (1852-1974): As plantações, economia, cultura e religião


Resumo:

Este livro explica as razões que levaram os portugueses a recolonizar as ilhas São Tomé e Príncipe a partir de 1852 e as estratégias que adotaram para institucionalizar a nova ordem colonial no arquipélago. Afastaram os nativos da posse das terras e das instituições e introduziram o modelo de economia da plantação em torno da qual toda a vida económica e social passou a girar, ficando o território dividido entre as populações das grandes plantações e as populações nativas. O trabalho e a terra foram explorados até à exaustão, com maus-tratos e a discriminação racial, e a queda progressiva da produtividade dos solos. A crise de produção surgiu e pôs a nu os limites do modelo de economia da plantação. Ocorreram várias tentativas de contratação forçada da mão-de-obra nativa que geraram muitos conflitos e conduziram ao massacre de “Batepá” de 1953. Este acontecimento fez despertar a consciência dos nacionalistas pela independência do arquipélago, que ocorreu em 12 de julho de 1975. O livro aborda também a cultura e religião como elementos centrais modeladores da sociedade e identidade são-tomenses.

Citação:

Espírito Santo, A. (2023). História de São Tomé e Príncipe – De Meados do Século XIX ao Fim do Regime Colonial (1852-1974): As plantações, economia, cultura e religião. Lisboa: Nimba Edições.

Working Paper 95/2011: Feiras Livres e Mercados no Espaço Lusófono: Perspectivas de um estudo em psicologia social


Resumo:

Esta comunicação propõe uma reflexão sobre os métodos de investigação a aplicar no estudo “Feiras livres e mercados no espaço lusófono: experiências de trabalho, geração de renda e sociabilidade”. O interesse pelo campo deve-se, em primeiro lugar, ao tipo de estudo que se pretende realizar e às singularidades do projecto proposto, como o facto de ser realizado nas cidades de Bissau, Praia e São Paulo, envolver pesquisadores de diferentes áreas das ciências sociais e propor um trabalho de terreno junto aos sujeitos. As feiras e mercados constituem o objectivo empírico deste estudo, apresentando-se como importantes universos de actividade e sobrevivência humanas que marcam a urbanidade das capitais no espaço lusófono. Pretende-se estudar as componentes e as condições para a construção de uma base de trabalho que possibilitem aos trabalhadores dos mercados e feiras livres gerarem renda através do trabalho em micro-empreendimentos. O estudo deve identificar e descrever as condições materiais e psicossociais que possibilitaram tornar-se trabalhador nesses mercados livres, construindo e adquirindo o conhecimento para inserir-se nessa actividade de trabalho.

Citação:

Évora, Iolanda. 2011. “Feiras Livres e Mercados no Espaço Lusófono: Perspectivas de um estudo em psicologia social”. Instituto Superior de Economia e Gestão – CEsA Documentos de Trabalho nº 95-2011.

O Oriente é um bordado oculto na história de Moçambique: Entrevista com Ana Mafalda Leite


Nesta entrevista, Ana Mafalda Leite discorre sobre o Oceano Índico e o Oriente, bem como seus significados para a literatura moçambicana e para a sua trajetória poética e académica.

hip hop em cabo verde

Hip-hop em Cabo Verde: rap e representação do espaço público na cidade da Praia


Resumo:

Em Hip-hop em Cabo Verde: rap e representação do espaço público na cidade da Praia o autor estuda como, apesar da forte ligação com Portugal e a existência naquele país de inúmeros grupos de rap compostos por cabo-verdianos ou descendentes de cabo-verdianos, o hip-hop produzido ali é praticamente ignorado e muito pouco consumido pelos jovens, nomeadamente os da periferia, em detrimento da cultura dos guetos negros norte-americanos, conhecida através dos fluxos audiovisuais da era digital. Jovens em todo o mundo são vistos como um fator de risco, associação esta patente, particularmente, no discurso moderno sobre segurança, sobretudo em uma época em que uma parte dos jovens se associa a gangues de rua, deixando transparecer “o fracasso da esperada reprodução dos mecanismos de suporte de um capitalismo expansivo e otimista”, o qual proporciona o tal “Estado de Bem-Estar”. Desta feita, perante um sentimento de mal-estar juvenil, evidenciado em algumas ações que desestabilizam a ordem social e a “morabeza crioula”, torna-se forçoso que as instituições que tutelam esta camada populacional os controlem, reprogramando-os institucionalmente, edificando, dessa forma, um Estado Serviço Social.

 

Citação:

Lima, R.W. (2022). Hip-hop em Cabo Verde: rap e representação do espaço público na cidade da Praia: In Territórios, cidades e identidades africanas em movimento. Andréia Moassab, Marina Berthet (Orgs.), 119-133. Foz do Iguaçu: EDUNILA, 2022. ISBN: 978-65-86342-32-1

Resenha de Janela para o Índico. Poesia Incompleta (1984-2019)

Resenha De Janela Para O Índico. Poesia Incompleta (1984-2019), De Ana Mafalda Leite


Resumo:

Resenha de Janela para o Índico. Poesia Incompleta (1984-2019) debruça-se sobre a mais recente antologia poética de Ana Mafalda Leite, publicada em Portugal pela editora cabo-verdiana/portuguesa Rosa de Porcelana. Não podemos deixar de assinalar que o livro surgiu no panorama editorial em 2020, isto é, no ano dramaticamente marcado pela pandemia global do novo coronavírus, pelo que, a janela mencionada no título adquiriu um sentido ainda mais sugestivo de liberdade e abertura. A antologia está organizada em nove secções, que correspondem aos livros anteriormente publicados pela autora, a partir dos quais foi realizada uma ampla e atenta seleção, e uma secção com dois textos inéditos. Assim, esta Janela testemunha um percurso de trinta e cinco anos de escrita poética. Um percurso, este, que é paralelo a uma igualmente longa e consolidada carreira de docente e estudiosa das literaturas e dos cinemas dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa. Cabe realçar que a escrita poética de Ana Mafalda Leite tem vindo a ser objeto de apreciação e reconhecimento crescentes junto da crítica e do público. Os seus textos poéticos foram incluídos em diversas publicações académicas – além de antologias e revistas literárias – como por exemplo Itinerâncias e Vozes femininas de África, entre outras. Em 2015 foi-lhe atribuído o prémio Femina1 pela sua produção poética, e já em 2011 poemas seus mereceram tradução para inglês e publicação no volume Stained Glass. Poetry from the Land of Mozambique, organizado por Luís Rafael Mitras. De salientar também que uma seleção de poemas, a partir de Janela para o Índico, será publicada em breve em tradução italiana, por iniciativa de Roberto Francavilla. 

 

Citação:

Falconi, J. (2021). Resenha De Janela Para O Índico. Poesia Incompleta (1984-2019), De Ana Mafalda Leite, Caderno Seminal 38.1, p. 418-443


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