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Ciclo de Cinema e Descolonização: Moçambique em foco | 15 de julho | Sessão de Encerramento com documentários “O Fim”, “Kalunga” e “La Finca del Medo”


 

O Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) tem a honra de convidá-los para a Sessão de Encerramento do Ciclo de Cinema e Descolonização: Moçambique em foco, que terá a projeção de três documentários da realizadora Lara Sousa: “O Fim” (Lara Sousa, 2018, Documentário, 17 min, português), “Kalunga” (Lara Sousa, 2018, Documentário, 22 min, português), e “La Finca del Medo” (Lara Sousa, 2017, Documentário, 15 min, português).

Os filmes serão exibidos com entrada livre no dia 15 de julho de 2023, pelas 10h, no ISEG – Lisbon School of Economics and Management (Auditório 2, Entrada pela Rua do Quelhas, nº 6, Piso do Claustro, 1200-781, Lisboa, Portugal – Google Maps AQUI).

Seguir-se-á o debate com a investigadora do Instituto de História da Arte da FCSH NOVA e curadora do filme, Ana Balona de Oliveira.

INSCREVA-SE AQUI: https://www.eventbrite.com/e/bilhetes-ciclo-cinema-e-descolonizacao-mocambique-em-foco-sessao-de-encerramento-668856657267?aff=oddtdtcreator

O filme será reproduzido em português. Recomendamos o registo prévio, mas a lotação do auditório será por ordem de chegada.

 

Sobre o Ciclo “Cinema e Descolonização: Moçambique em foco”
Urge entender a descolonização como um processo ainda em curso, que é preciso aceitar e integrar na dinâmica social, política, cultural e pessoal. O projeto visa criar um espaço de partilha, aberto e dinâmico, em que possam surgir memórias, narrativas, diálogos e reflexões. Tem coordenação da investigadora Jessica Falconi (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) e curadoria da investigadora e realizadora moçambicana Isabel Noronha e cineasta Camilo de Sousa.

O Ciclo decorrerá em formato cineclube, de janeiro a julho de 2023, com projeções uma vez por mês, sempre ao sábado, onde se pretende debater e refletir sobre os legados e as memórias da descolonização em Moçambique. Cada sessão contará com a presença de artistas envolvidos na realização dos filmes, bem como de investigadores e moderadores indicados pelo CEsA.

Coordenação: Jessica Falconi (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa)
Curadoria: Isabel Noronha e Camilo de Sousa
Consultoria científica: Joana Pereira Leite (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) e Ana Mafalda Leite (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa)
Apoio: CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

 

Leia mais:

Confira a programação de filmes do Ciclo “Cinema e Descolonização: Moçambique em foco” para 2023

Ciclo “Cinema e Descolonização: Moçambique em foco” conjuga cinema, memórias e narrativas sobre a descolonização e as suas marcas em cineclubes mensais no ISEG

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução

Conheça os investigadores do CEsA que participarão nas Roundtables da EADI CEsA Lisbon Conference 2023


A maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento, a EADI CEsA Lisbon Conference 2023: Towards New Rhythms of Development, que terá lugar entre os dias 10 e 13 de julho de 2023 no ISEG – Lisbon School of Economics and Management, em Lisboa, irá contar na sua programação com a presença de nove investigadores do CEsA nas Roundtables 7 e 11 da conferência. As Roundtables são uma plataforma para o debate de temas específicos e podem ter um foco mais académico ou prático.

O Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) é o coorganizador do evento, que acontece pela primeira vez em Lisboa, Portugal. A conferência internacional é organizada a cada três anos pela European Association of Development Research and Training Institutes (EADI), desde 1975. O evento terá formato híbrido (presencial e on-line) e as inscrições encontram-se abertas com preços compreendidos entre os 95€ e 335€. Membros do EADI e investigadores estudantes de doutoramento e pós-doutoramento, beneficiam de descontos na inscrição.

 

Consulte abaixo as informações sobre as respetivas Roundtables:

Roundtable 7 – New Rhythms of Development in African Literature and Arts

Roundtable 11 – As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia Covid-19

 

Consulte a lista de investigadores do CEsA que constam no programa das Roundtables da EADI CEsA Lisbon Conference 2023:

Ana Mafalda Leite (co-coordenadora da Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

Edvaldo Bergamo (orador do Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

Fernanda Gallo (oradora da Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

Iolanda Évora(oradora da Roundtable 11: As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia de Covid-19, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Jessica Falconi (co-coordenadora da Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

Marta Banasiak (oradora da Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

Odair Barros-Varela(co-coordenador da Roundtable 11: As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia de Covid-19, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Redy Wilson Lima (co-coordenador da Roundtable 11: As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia de Covid-19, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Sara Laisse (oradora da Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts, 13 de julho, 14h30-16h)

 

 

Leia mais:

Programa Preliminar

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Revista CEsA nº 1 | Entrevista: CEsA e EADI organizam conjuntamente a edição de 2023 da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Roundtables EADI CEsA Lisbon Conference 2023

Site da EADI

 

Parceiro na organização do evento:

Apoio:

Kings College London

 

 

 

 

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 | 12 de julho | Roundtable 11: As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia de Covid-19


Roundtable 11 – As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia de Covid-19
12 de julho de 2023
14:30h – 16h (UTC+1)
Sala 101, Francesinhas 1, ISEG, Lisboa

 

Coordenadores:

Odair Barros-Varela CEsA/CSG/ISEG/ULisboa
Redy Lima CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

 

 

 

 

 

 

 

Descrição da Roundtable: Esta mesa-redonda tem como objetivo geral apresentar as visões e experiências que possam contribuir para um maior conhecimento e compreensão da realidade multifacetada das economias informais no contexto cabo-verdiano, bem como provocar uma discussão sobre as relações existentes entre a apelidada economia nacional (formal e/ou oficial) e as economias informais em Cabo Verde, mediante a análise das continuidades coloniais (a colonialidade), das ruturas e dos novos desenvolvimentos após a independência e perceber se os grupos sociais protagonistas das economias informais, nomeadamente as redes, associações comunitárias e movimentos sociais (nos Bairros dos grandes centros urbanos em Cabo verde) têm funcionado simultaneamente como atores alternativos à excludente economia capitalista neoliberal dominante e como os principais protagonistas de uma economia de feição social e/ou solidária, conferindo maior suporte às discussões políticas e académicas sobre as teses de “desenvolvimento alternativo”, “alternativas ao desenvolvimento” e de “novos ritmos de desenvolvimento”.

Deste modo, esta sessão pretende, igualmente, reunir trabalhos e experiências que se debruçam sobre a economia social e/ou solidária em Cabo Verde e os seus principais protagonistas, quer sejam as não reconhecidas oficialmente e as cooperativas (estipuladas na lei), os diferentes atores e circuitos económicos informais nos principais centros urbanos, os principais circuitos internacionais da economia informal; as práticas económicas informais nos centros urbanos das principais cidades cabo-verdianas e desde o período colonial à atualidade, dados quantitativos e as práticas económicas informais o peso das economias informais no Produto Interno Bruto (PIB) e na economia geral de Cabo Verde, o perfil sociopolítico e económico dos sujeitos integrantes das economias informais, as políticas e as legislações governamentais em relação às economias informais, propostas e medidas de reconhecimento e de integração das economias informais não só no campo da economia social e/ou solidária mas também no âmbito da economia nacional.

 

Comunicações da Roundtable 11 – As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros Urbanos de Cabo Verde no Contexto da Pandemia Covid-19

 

  • Economia informal e a pandemia de Covid 19: Algumas reflexões sobre as rabidantes cabo-verdianas

Tatiana Reis
Universidade Estadual do Maranhão, Brasil

Resumo:
A presente comunicação tem como objetivo refletir acerca dos impactos da pandemia de Covid-19 sobre a atividade desenvolvida pelas rabidantes cabo-verdianas. Estas mulheres detêm um poder fundamental na economia, especialmente pela comercialização de produtos que acabam por sanar grande parte das necessidades da população local. No entanto, a rabidância, que se estrutura a partir de uma complexa teia de relações, de práticas comerciais e produtos comercializados, não tem recebido a devida atenção por parte do poder público, gerando assim uma relação profundamente desigual no interior das dinâmicas económicas efetivadas no país. A pandemia de Covid-19 agravou este cenário uma vez que os trabalhadores e trabalhadoras informais passaram a vivenciar um cenário de maior vulnerabilidade social. Frente ao contexto acima exposto, objetivamos refletir sobre ações conjuntas de maior alcance e impacto social que consigam envolver essas mulheres e demais agentes da economia informal.

 

  • Entre Informalidade e Resistência: Lutas sociais em contextos de crise

Redy Lima
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

Resumo:

Esta comunicação baseia-se numa pesquisa colaborativa desenvolvida com a Rede de Associações Comunitárias e Movimentos Sociais – RACMS entre os anos de 2020 e 2022 e tem como objetivo evidenciar os processos de afirmação e de resistência de duas associações comunitárias integradas na RACMS ativas nos bairros de Safende (ACAS) e Eugénio Lima (ACAEL), em Cabo Verde, ambos tidos como periféricos. A partir de suas práticas, buscamos discutir as noções de informalidade tanto no sentido territorial como em termos organizacionais e de cuidados, bem como analisar as respostas comunitárias destas associações à crise pandémica da Covid-19.

 

  • Informal ou essencial? Dimensões psicossociais da prática da ajuda-mútua entre comunidades africanas e afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa durante a pandemia da Covid-19.

Iolanda Évora
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

Resumo:

A partir de um estudo de caso, analisamos as dimensões psicossociais da prática da ajuda-mútua, conhecida como djunta-mon, protagonizada por jovens africanos e afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Buscamos entender quais as modalidades aplicadas de práticas de economia coletiva e cuidado social, as competências demonstradas para a resposta no âmbito local/social e as ferramentas utilizadas para a prestação e garantia do cuidado social e material. Discutimos de que modo a eficiência da autogestão do cotidiano da rede de ajuda-mútua, a rapidez na tomada de decisão e a eficácia da ajuda demonstradas confirmam a solidez do repertório de respostas de solidariedade social historicamente aplicado pelas comunidades.

 

  • Mulheres Rabidantes e a Economia “Informal” em Cabo Verde no Contexto da Pandemia e da Crise. O Ativismo Académico para uma Governação Económica Inclusiva em Cabo Verde

Odair Barros-Varela
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

Resumo:

O principal objetivo desta investigação é, no contexto da era da pandemia e da crise, contribuir para a criação de uma agenda de investigação endógena (Furtado, Laurent & Évora, 2016; Cardoso, 2012; Barros-Varela, 2006, 2008, 2009, 2017) sobre a luta das mulheres rabidantes pelo reconhecimento da sua atividade económica e, em geral, sobre as economias informais (enquanto membros da Economia Social e/ou Solidária), olhando para o conhecimento não como uma simples reprodução concetual de dados objetivos da realidade, mas antes, como uma constituição e/ou fundamentação autêntica, centrada nos sujeitos. Esta proposta enquadra-se na área da Economia Política Africana crítica – na esteira de Thandika Mkandawire (1995, 1999, 2005) – e na Ciência Política Africanista, cuja tarefa é trazer a transformação social de volta à agenda em África, de acordo com Abdul Raufu Mustapha (2006). A questão de investigação deste trabalho é perceber se, na atual era de crises, pandemias e epidemias, as mulheres rabidantes serão não só actores alternativos à exclusiva economia capitalista neoliberal dominante, mas também protagonistas de uma Economia Solidária. O trabalho tem, como outros objectivos principais, contribuir para o conhecimento da realidade multifacetada das Economias “Informais” em Cabo Verde; compreender a relação entre a economia nacional (formal e/ou oficial) e as economias “informais” em Cabo Verde, através da análise das continuidades em relação ao período colonial, das ruturas e dos novos desenvolvimentos após a independência.

 

Leia mais:

Site da EADI: RT 11 – As Economias Informais e o Papel das Associações Comunitárias nas Periferias dos Maiores Centros de Cabo Verde no Contexto da Pandemia Covid-19

Site da EADI: Lista das Roundtables (em inglês)

Site da EADI: Programa preliminar (em inglês)

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar com duas Aulas Abertas em formato presencial e online

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Inscrições abertas para a EADI CEsA Lisbon Conference 2023, a maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 | 13 de julho | Roundtable 7: New Rhythms of Development in African Literature and Arts


Roundtable 7 – New Rhythms of Development in African Literature and Arts
13 de julho de 2023
14:30h – 16h (UTC+1)
Sala 04, Francesinhas 1, ISEG, Lisboa

 

Coordenadoras:

Jessica Falconi CEsA/CSG/ISEG/ULisboa
Ana Mafalda Leite CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

 

 

 

 

 

 

 

Descrição da Roundtable: Esta Roundtable tem como objetivo discutir a relação que a literatura e as artes africanas estabelecem com as questões atuais provocadas pelo desenvolvimento a nível global. Por um lado, pretende-se abordar diferentes representações dos vários impactos do desenvolvimento nas conceções literárias e artísticas. Por outro lado, é necessário refletir e discutir as condições de desigualdade nos circuitos de produção, circulação e recepção da literatura e artes africanas na nova ordem mundial neoliberal.

Em particular, os oradores convidados discutirão os impactos e as consequências do desenvolvimento em relação aos seguintes eixos temáticos: 1) Crises (ambientais, ecológicas, políticas, económicas, sociais), 2) Identidades dissidentes (religiosas, políticas, de género), 3) Fraturas culturais (novas tecnologias e saberes locais em espaços urbanos, periurbanos e rurais), e 4) Itinerários (viagens, diásporas e exílios).

Embora incluindo abordagens comparativas, o debate centrar-se-á em particular na literatura e artes dos cinco países africanos de língua portuguesa. A intenção é discutir os novos desafios que o desenvolvimento global coloca à literatura e artes africanas através de diferentes perspetivas e objetos de estudo.

De um ponto de vista teórico, Marta Banasiak discutirá a articulação entre as teorias do desenvolvimento e a literatura mundial. Kamila Krakowska abordará a representação das questões ambientais nas literaturas africanas de língua portuguesa. Edvaldo Bergamo discutirá a memória pública através de romances históricos moçambicanos e angolanos. Fernanda Gallo abordará a evolução do cinema moçambicano desde a independência. Por fim, Sara Laisse apresentará o trabalho da Fundação Fernando Leite Couto em Moçambique na área da cultura.

 

Oradores:

Marta Banasiak
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

 

Kamila Krakowska
Leiden University Centre for the Arts in Society, Países Baixos

Edvaldo Bergamo
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

 

Fernanda Gallo
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

 

Sara Laisse
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

 

 

Leia mais:

Site da EADI: RT 7 – New Rhythms of Development in African Literature and Arts (em inglês)

Site da EADI: Lista das Roundtables (em inglês)

Site da EADI: Programa preliminar (em inglês)

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar com duas Aulas Abertas em formato presencial e online

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Inscrições abertas para a EADI CEsA Lisbon Conference 2023, a maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

Conheça os investigadores do CEsA que participarão nos Harvest Panels da EADI CEsA Lisbon Conference 2023


A maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento, a EADI CEsA Lisbon Conference 2023: Towards New Rhythms of Development, que terá lugar entre os dias 10 e 13 de julho de 2023 no ISEG – Lisbon School of Economics and Management, em Lisboa, irá contar na sua programação com a presença de cinco investigadores do CEsA nos Harvest Panels 7, 11 e 14 da conferência. Os Harvest Panels fornecem um espaço para apresentar investigações concluídas e os respetivos resultados.

O Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) é o coorganizador do evento, que acontece pela primeira vez em Lisboa, Portugal. A conferência internacional é organizada a cada três anos pela European Association of Development Research and Training Institutes (EADI), desde 1975. O evento terá formato híbrido (presencial e on-line) e as inscrições encontram-se abertas com preços compreendidos entre os 95€ e 335€. Membros do EADI e investigadores estudantes de doutoramento e pós-doutoramento, beneficiam de descontos na inscrição.

 

Consulte abaixo as informações sobre os respetivos Harvest Panels:

Harvest Panel 7 – Metamorphoses of Capitalism, Ecological and Social Crisis: questions and possibilities

Harvest Panel 11 – Woman Entrepreneurs on the African Continent

Harvest Panel 14 – Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict

 

Consulte a lista de investigadores do CEsA que constam no programa dos Harvest Panels da EADI CEsA Lisbon Conference 2023:

 

Arlindo Fortes (co-coordenador do Harvest Panel 7: Metamorphoses of Capitalism, ecological and social crises: questions and possibilities, 11 de julho de 2023, 16h30-18h; e co-coordenador do Seed Panel 30: Rural/urban space in sub-Saharan Africa and the dynamics of climate change, 12 de julho de 2023, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Elsa Fontainha (oradora do Harvest Panel 11 – Woman Entrepreneurs on the African Continent, Tema: Women Entrepreneurs Coping with Shocks: The case of Covid-19 in four Sub-Saharan African countries, 13 de julho de 2023, 9h-10h30)

 

Marcelo Moreira (co-coordenador do Harvest Panel 7: Metamorphoses of Capitalism, ecological and social crises: questions and possibilities, 11 de julho de 2023, 16h30-18h; e co-coordenador do Seed Panel 30: Rural/urban space in sub-Saharan Africa and the dynamics of climate change, 12 de julho de 2023, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Sónia Frias (co-coordenadora do Harvest Panel 7: Metamorphoses of Capitalism, ecological and social crises: questions and possibilities, 11 de julho de 2023, 16h30-18h; e co-coordenadora do Seed Panel 30: Rural/urban space in sub-Saharan Africa and the dynamics of climate change, 12 de julho de 2023, 12 de julho de 2023, 14h30-16h)

Sílvia Amaral (oradora do Harvest Panel 14: Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict, Tema: Armed Conflict and Urbanization in Cabo Delgado, Mozambique: A case study of two neighbourhoods in the city of Pemba, 11 de julho, 16h30-18h)

 

Leia mais:

Programa Preliminar

Conheça os investigadores do CEsA que participarão nos Seed Panels da EADI CEsA Lisbon Conference 2023 

Vinte investigadores do CEsA compõem o Programa Preliminar da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar com duas Aulas Abertas em formato presencial e online

Inscrições abertas para a EADI CEsA Lisbon Conference 2023, a maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Revista CEsA nº 1 | Entrevista: CEsA e EADI organizam conjuntamente a edição de 2023 da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Harvest Panels EADI CEsA Lisbon Conference 2023

Site da EADI

 

Parceiro na organização do evento:

Apoio:

Kings College London

 

 

 

 

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 | 11 de julho | Harvest Panel 14: Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict


Harvest Panel 14 – Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict
11 de julho de 2023
16:30h – 18h00 (UTC+1)
Sala 10, Francesinhas 1, ISEG, Lisboa

 

Coordenadores:

Tom Goodfellow
University of Sheffield, Reino Unido

Shuaib Lawasa
Erasmus University Rotterdam, Países Baixos

Taibat Lawanson
University of Lagos, Nigéria

 

Descrição do painel: No contexto do rápido crescimento urbano, a migração de grande escala para as cidades pode perturbar os existentes ritmos da vida urbana enquanto também desencadeia novos ritmos. Isto é geralmente associado com o aumento da tensão e do conflito social, mas pode também levar a uma coexistência pacífica. Tendo em conta a escala de urbanização pela maior parte do Sul Global, e os crescentes níveis de conflito em muitas sociedades urbanas, compreender como os ritmos da vida urbana são perturbados e refeitos através da migração é cada vez mais urgente.

A relação entre a migração rural-urbano e conflito começou a ser explorada através de estudos quantitativos transnacionais. No entanto, ainda temos pouca informação sobre como a relação entre os migrantes e os habitantes urbanos pré-existentes alimentam as dinâmicas de conflito violento e construção da paz. Autoridades municipais sobrecarregadas impossibilitadas de acompanhar a rapidez do crescimento urbano, podem vir a resultar em falhas massivas na infraestrutura, prestação de serviço, documentação adequada de posse e padrões de liquidação regulados. Estes fenómenos são de conhecimento geral, no entanto podem se intercetar de maneiras imprevisíveis com diferentes formas de exclusão e inclusão quando novos grupos de migrantes (sejam internacionais ou de outras partes de um território nacional) se estabelecem em áreas urbanas já bastante densas e complexas.

A migração urbana está muitas vezes associada a “narrativas de crise” e desordem, principalmente em contextos como África e Ásia. No entanto, os novos ritmos de interação social que surgem à medida que migrantes e populações fixas interagem são frequentemente mal compreendidos – e em muitas cidades, a distinção entre migrantes e não migrantes é mais complexa do que aparenta.

Este painel explora a relação entre migração, urbanização, conflito e construção da paz, por meio de artigos que apresentem descobertas empíricas ou reflexões conceptuais sobre essas relações em qualquer lugar do mundo. Solicitamos artigos que explorem qualquer aspeto do processo de “chegada” urbana e a sua interseção com o conflito e os esforços para superá-lo, a fim de construir uma compreensão mais profunda das dinâmicas inevitáveis da urbanização global.

Este painel é organizado pelo Grupo de Trabalho de Governança Urbana da EADI – European Association of Development Research and Training Institutes.

 

Comunicações do Harvest Panel 14 – Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict:

 

  • Rupture and Retreat: The everyday rhythms of conflict in inner-city Johansburg

Matthew Micah Wilhelm-Solomon
University of the Witwatersrand, África do Sul

 

  • Armed Conflict and Urbanization in Cabo Delgado, Mozambique: A case study of two neighbourhoods in the city of Pemba

Sílvia Amaral
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

Resumo:

A urbanização em África escapa às condições familiares da teoria urbana mais comum. Entre os vários motivos, os conflitos armados deslocam populações rurais para áreas urbanas, acelerando processos de (trans)formação e apresentando implicações para o desenvolvimento urbano – o fenómeno da urbanização induzida por conflitos. Na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, uma insurgência armada tem forçado o deslocamento de milhares de civis de suas aldeias desde 2017; muitos fogem para Pemba, a capital da província, aumentando rapidamente e de forma expressiva a população urbana. Esta comunicação apresenta um projeto de pesquisa em curso sobre a urbanização induzida por conflitos em Cabo Delgado, por meio de um estudo de caso comparativo de dois bairros na cidade de Pemba, utilizando fotografia e cartografia participativas para coleta de dados com residentes de longa data e pessoas deslocadas recém-chegadas, numa abordagem crítica aos estudos urbanos. O objetivo é compreender como o conflito armado em Cabo Delgado está a acelerar a urbanização em Pemba, e quais são os desafios e oportunidades para o futuro desenvolvimento urbano.

 

  • Land Conflict Histories and Contemporary Dynamics in Post-Conflict Gulu City, Northern Uganda

Betty Adoch
Makerere University/Gulu University, Uganda

Paul Isolo Mukwaya
Makerere University, Uganda

George Oriangi
Gulu University, Uganda

Shuaib Lwasa
International Institute of Social Studies of Erasmus University, Den Haag, Países Baixos

 

  • Migrants and Generational Urban Dwellers in Aleppo: An interdependence shattered by war

Kevin Mazur
Northwestern University, Estados Unidos da América

 

  • The Questline Between Urbanisation and Contestation for Land Resources in Nigeria

Esther Oromidayo Thontteh, Taibat Lawanson, Kennedy Eborka
University if Lagos, Nigéria

Davidson Alaci
University of Jos, Nigéria

 

Leia mais:

Site da EADI: HP14 – Exploring the Rhythms of Urbanisation and Conflict (em inglês)

Site da EADI: Lista dos Harvest Panels (em inglês)

Site da EADI: Programa preliminar (em inglês)

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar com duas Aulas Abertas em formato presencial e online

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 divulga o programa preliminar da maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

Inscrições abertas para a EADI CEsA Lisbon Conference 2023, a maior conferência europeia de Estudos de Desenvolvimento

 

Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 | 13 de julho | Harvest Panel 11: Women Entrepreneurs on the African Continent


Harvest Panel 11 – Women Entrepreneurs on the African Continent
13 de julho de 2023
09:00h – 10h30 (UTC+1)
Sala 101, Francesinhas 1, ISEG, Lisboa

 

Coordenadores:

Ulrike Schuerkens
Université Rennes 2, França

 

Descrição do painel: Existem variados resultados de investigações sobre mulheres no empreendedorismo, assim como literatura sobre os desafios e obstáculos das mesmas. No entanto, a maioria dessa literatura foca-se nas empreendedoras no Norte, incluindo nos Estados Unidos e na Europa (Edoho 2015; Sheriff & Muffatto 2015). Estudos sobre mulheres senegalesas podem ser encontrados em duas teses de doutoramento que utilizaram principalmente abordagens quantitativas (Diop Thiam 2015 e Mbodji Diop 2019). No entanto, há falta de informações sobre os desafios e obstáculos enfrentados pelas mulheres em África para iniciar e gerir um novo negócio formal.

Assim, a pergunta feita pelos investigadores é a seguinte: como é que as empreendedoras vêm e descrevem a experiência de coordenar um negócio bem-sucedido em África? Esta pesquisa tem como objetivo de compreender como é que as mulheres empreendedoras deram significado às suas experiências vividas. Conforme afirmado por Memli et al. (2015), a criação de valor requer inovação e recursos para construir novos negócios que gerem lucro. Oportunidades devem ser aproveitadas, e ideias são necessárias para criar um novo negócio comercial. As mulheres empreendedoras do Sul enfrentam obstáculos que dificultam o seu sucesso, como a falta de apoio e as perceções culturais. Estes desafios variam de acordo com a cultura, idade, educação e etnia. Em África, as perceções sociais e culturais são decisivas para a escolha do negócio, incluindo indústrias direcionadas para mulheres. Esta sessão convida estudos de caso sobre empreendedoras do setor formal, com base em métodos qualitativos ou quantitativos.

 

Comunicações do Harvest Panel 11 – Women Entrepreneurs on the African Continent:

 

  • Successful Women Entrepreneurs in Senegal

Ulrike Schuerkens
Université Rennes 2, France

 

  • Women Entrepreneurs Coping with Shocks: The case of Covid-19 in four Sub-Saharan African countries

Elsa Fontainha
CEsA/CSG/ISEG/ULisboa, Portugal

 

 

  • The Multinational “Auchan” in Senegal: A source of supply for woman stallholders in Mbour (Thiès)

Paul Mamba Diédhiou
Université Cheikh Anta Diop, Senegal

 

  • Gender in the Current Economic Environment in Cameroon

Daniel Damaigue
Université Douala, Camarões

 

  • Exploring Business Sustainability Adoption Across Ghanian And Scottish Women Entrepreneurs

Kathy-Ann Fletcher
Abertay University, Reino Unido

 

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Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
Imagens: CEsA/Reprodução e EADI

EADI CEsA Lisbon Conference 2023 | 11 de julho | Harvest Panel 7: Metamorphoses of Capitalism, Ecological and Social Crisis: questions and possibilities


Harvest Panel 7 – Metamorphoses of Capitalism, Ecological and Social Crisis: questions and possibilities
11 de julho de 2023
16:30h – 18h (UTC+1)
Sala 105, Francesinhas 2, ISEG, Lisboa

 

Coordenadores:

Arlindo Fortes CEsA/CSG/ISEG/ULisboa
Marcelo Moreira CEsA/CSG/ISEG/ULisboa
Sónia Frias CEsA/CSG/ISEG/ULisboa

 

 

 

 

 

 

 

Descrição do painel: Desde o final dos anos 1960, o processo de acumulação “sustentado” pelo capital parasita e especulativo, mostra que a economia global está imersa numa inércia generalizada, com acumulação de capital demorada, baixo nível de investimento e taxas de crescimento limitadas, mas com alto nível de lucro, o que é causado por uma intensa pressão sobre os níveis de desigualdades existentes, combinando uma reestruturação global da produção de riqueza e rendimentos com um padrão de reprodução da força de trabalho ao nível da sua manutenção limitada. Essa inércia é intensificada a partir da crise produtiva e financeira dos anos 2008-2009.

Em todo este processo, o choque do novo coronavírus trouxe uma crise de saúde-económica e civil, tornando explícita a falência do processo de globalização enquanto uma ideologia e processo de civilização, essencialmente baseado nas estruturas voláteis da produção e do consumo e na globalização financeira do capital, sob os domínios do capital parasita e especulativo em detrimento do capital substantivo. A crise pandémica da COVID-19, assim, revelou os efeitos da evoluída sociedade industrializada com as suas ofensivas dinâmicas de reprodução da vida material, suportada pela exaustiva exploração dos recursos naturais. Todos estes aspetos em transformação irão resultar numa intensa crise ecológica, acentuada pelas dinâmicas de acumulação focadas nas finanças globais, reproduzindo e dificultando as condições de vida a nível cultural, económico, intelectual, político e social dos mais pobres, nomeadamente dos trabalhadores, dos produtores familiares e camponeses, das populações ribeirinhas e das populações tradicionais do Sul Global.

Espera-se que este painel seja um espaço de reflexão sobre a constituição de experiências de desenvolvimento, a partir de estudos e pesquisas que expressem novos métodos de análise e estratégias de desenvolvimento como respostas que se oponham à ideologia capitalista descrita acima, com a descrição das condições estruturais (territoriais, socioeconómicas e ações de confronto) em que tais estratégias ocorrem e os efeitos nas condições de vida dos grupos mencionados. Com isto, à luz da economia política, geografias agrárias e económicas, são bem-vindas as contribuições de especialistas, investigadores e profissionais que relacionem a questão central deste painel aos desafios e possibilidades que surgem em termos de realidades e dinâmicas territoriais locais.

 

 

Comunicações do Harvest Panel 7 – Metamorphoses of Capitalism, Ecological and Social Crisis: questions and possibilities:

 

  • Labour Transformation Across Space and Time: A case study of two villages in South India

Yadu C R
Christ University, Bangalore, Índia

Este artigo procura analisar a transição do trabalho e do emprego no setor agrícola na Índia numa perspetiva microeconómica. Baseia-se num trabalho de campo efetuado em duas aldeias vizinhas no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, que foram anteriormente estudadas em 1994. Embora a natureza da mudança na produção agrícola e na ecologia local seja semelhante em ambas as aldeias estudadas, a trajetória da mudança no mercado de trabalho agrário variou entre elas. Este artigo debruça-se sobre os processos de mudança que resultaram em diferentes respostas no mercado de trabalho nas duas aldeias, e utiliza os seus conhecimentos para realçar os principais debates macroeconómicos sobre a transição do trabalho rural e do emprego na Índia.

Enquanto em Vinayagapuram a comercialização do trabalho prosseguia sem problemas, a aldeia de Veerasambanur apresentava um cenário de trabalho menos comercializado. Foram observadas grandes diferenças no processo de trabalho, nas relações laborais, nas tendências salariais e até no impacto das políticas macroeconómicas no mercado de trabalho das respetivas aldeias. Apesar do sistema de trabalho dependente ter sido eliminado em ambas as aldeias, verificou-se que a troca de mão de obra estava significativamente presente em Veerasambanur. Enquanto Veerasambanur era marcada por uma relação entre agricultores e trabalhadores que impedia a ação coletiva dos trabalhadores, Vinayagapuram apresentava uma separação clara entre os agricultores e os trabalhadores assalariados. Enquanto as condições em Vinayagapuram facilitavam aumentos salariais consistentes, as tendências salariais eram irregulares e inconsistentes em Veerasambanur. As características particulares da relação social do emprego agrário não só causaram uma divergência nas tendências salariais no longo prazo entre as aldeias, como também afetaram a eficácia das medidas governamentais de criação de emprego local.

Mesmo no meio das diferenças, a constituição da força de trabalho agrária em função do género foi um dos principais pontos de semelhança entre as aldeias estudadas. Verifica-se que o trabalho não remunerado das mulheres desempenha um papel importante no sustento das famílias que se dedicam à agricultura. Enquanto a crise agrária, em geral, provocou a emigração dos homens, o funcionamento das instituições sociais garante que as mulheres continuem a concentrar-se no sector agrícola, suportando desproporcionadamente o fardo do trabalho. Assim, a “feminização da agricultura” significaria também a “feminização da crise agrária”. O estudo conclui que a transição laboral nestas aldeias é, no seu conjunto, social e ecologicamente enraizada. Mesmo no meio da angústia.

 

  • Migration Flows Within a Fragmented Global North: (Re)placing the nexus between migration and development

Maria Teresa Santos
Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa, Portugal

O debate sobre a migração e desenvolvimento tem acompanhado uma concepção do mundo baseada na dualidade entre as áreas “desenvolvidas” e “não desenvolvidas”. Do ponto de vista geográfico, essa perspetiva implica uma noção de um “Norte Global desenvolvido” (o “espaço destino”) e um “Sul Global subdesenvolvido” (“espaços de origem”). Essa divisão simplificada do mundo ignora os impressionantes fluxos de migração dos trabalhadores dentro da União Europeia, acompanhados por formas variadas de capitalismo dentro da União Europeia.

Neste artigo, argumentamos que compreender os diferentes processos de reordenação do território e reestruturação económica que ocorrem no Norte Global, que é visto como um local onde ocorre acumulação por desapropriação, possibilita construir a ideia do Norte Global como uma área homogeneizada de desenvolvimento. Essas perspetivas teóricas tornam possível colocar o debate sobre migração e desenvolvimento também no Norte Global, onde os níveis de desenvolvimento regional são diferentes, a convergência está longe de ser alcançada e a intensidade, composição e equilíbrio da migração são diversos, expondo assim as contradições dentro do capitalismo global. A discussão irá assumir essencialmente uma abordagem quantitativa baseada em dados estatísticos e irá ter como exemplo os países e regiões da União Europeia como exemplo didático.

 

  • How in the Neoclassical, in Kenya and in Marx, Entrepreneurship Would be Presented as a Theoretical and Real Solution to the Precariousness of the World of Labor in Brazil Today

Sebastião Ferreira Cunha, Felipe Matheus Gaio Correa, Rondon Ferreira Souza Filho
UFRRJ, Brasil

Nas últimas décadas, diversos movimentos na dinâmica da acumulação capitalista resultaram em transformações estruturais, tendo como causa e consequência mudanças caracterizadas pelo crescimento da difusão da avaliação financeira, pela reestruturação produtiva, interna das grandes empresas multinacionais e das alterações nas cadeias de produção globais, e nas políticas de apoio dos diversos países e pelas respostas a esse movimento.

Globalmente, essa realidade remonta aos anos 1960-70 e, no Brasil, a partir dos anos 1990, tendo impacto na precariedade no mundo do trabalho, e implementando uma procura de soluções, teóricas e práticas, para reduzir os impactos não apenas no emprego e nas relações de trabalho, mas também na capacidade de desempenho da economia para absorver o crescimento da população economicamente ativa. Assim, associado a estes movimentos da dinâmica da acumulação global, no Brasil, a situação de precariedade que atormenta o mundo do trabalho tem sido caracterizada por altas taxas de desemprego; pelo crescimento descontrolado da precariedade das atividades de trabalho, inclusive as disfarçadas, chamadas em grande parte, de trabalhador autónomo, prestador de serviços, etc.; pela queda da participação do salário na renda nacional; pela expansão da prestação de serviços; pela redução da atividade sindical; e expansão das desigualdades sociais e informalidade.

Perante esta realidade, são utilizadas diferentes abordagens para ratificar tendências e encontrar soluções para as transformações no mundo do trabalho, como a cooperação, a “pejotização” e a “uberização” (expressões em português do Brasil que caracterizam situações do mercado informal), bem como outras que, simultaneamente incorporam elementos das mencionadas anteriormente, sintetizam argumentos utilizados em boa parte da teoria económica para justificar mudanças estruturais na legislação que regula o emprego e as relações de trabalho, o empreendedorismo, como mecanismo para garantir renda e acesso a ativos e serviços.

Para combater esta realidade, os significados que emergiram na reforma trabalhista na legislação trabalhista no Brasil — iniciada na década de 1990, com pequenos avanços e retrocessos nos anos 2000, e realizada de forma mais abrangente na Lei da Terceirização, número 13.429, de 31 de março, e na Lei número 13.467, de 13 de julho de 2017 — são conduzidos a partir da perspetiva de defesa da liberdade de ação dos indivíduos na sociedade, interpretada como formalmente igual.

O emergência histórica do conceito de empreendedorismo está associada à ação de um indivíduo (sujeito) que assume o risco de algum tipo de empreendimento, e Cantillon foi o responsável por introduzir o conceito na teoria económica, embora as primeiras menções a tal ator (o empreendedor) fossem mais descritivas do que teóricas. Schumpeter atribui não a Cantillon, mas a J-B Say, a difusão do conceito de empreendedor e, por sua influência, a inserção na Inglaterra por J.S. Mill, ambos fundadores/transmissores teóricos da teoria utilitarista. No Brasil, nas últimas décadas, o conceito de empreendedorismo tem sido utilizado como resposta a soluções para o mundo do trabalho, chegando até onde o programa do governo hoje vigente garante a existência de políticas governamentais que utilizam o BNDES (banco público tradicionalmente responsável por garantir investimentos de grande porte) para ampliar as iniciativas microempreendedoras, o que pode gerar impactos positivos em indicadores do mundo do trabalho e efeitos multiplicadores, incluindo micro e pequenas empresas.

Diante dessa realidade, o objetivo principal da investigação foi identificar a capacidade explicativa das teorias económicas clássicas que discutem o desemprego, tratado estruturalmente, para afirmar o chamado empreendedorismo como mecanismo de enfrentamento da atual realidade do mundo do trabalho e das dinâmicas de acumulação capitalista, sintetizadas nas principais correntes e abordagens: teoria neoclássica, teoria keynesiana e teoria marxista.

 

Leia mais:

Site da EADI: HP07 – Metamorphoses of Capitalism, Ecological and Social Crisis: questions and possibilities (em inglês)

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Autor: Comunicação CEsA (comunicacao@cesa.iseg.ulisboa.pt)
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