TERRITÓRIOS DA MEMÓRIA – A Área Metropolitana de Lisboa pelo Olhar de Africanos e Afrodescendentes

O CCCV – Centro Cultural Cabo Verde e o AFROPORT – Afrodescendência em Portugal apresentam, desde 19 de outubro a 27 de novembro, TERRITÓRIOS DA MEMÓRIA, exposição audiovisual que exibe pela primeira vez ao público os registos recolhidos no âmbito dos projetos de investigação AFROPORT -Afrodescendência em Portugal: sociabilidades, representações e dinâmicas sociopolíticas e culturais. Um estudo na Área Metropolitana de Lisboa (Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento/ISEG) e DISCURSOS MEMORIALISTAS DA HISTÓRIA (Centro de Estudos Comparatistas/FLUL), além das fotografias de Herberto Smith da Festa de São Miguel Arcanjo do Bairro do Casal da Mira. 

Os projetos recolheram, a partir do diálogo horizontal com os participantes, inúmeros registos videográficos dos modos de vida, sociabilidades e práticas discursivas em diversas latitudes urbanas de africanos e afrodescendentes na Área Metropolitana de Lisboa, e das memórias dos actores políticos nos processos históricos nos países de língua africana portuguesa, durante os períodos colonial e pós-colonial. Dessa recolha organizou-se um acervo audiovisual, que agora ficará disponível ao público, em resultado de uma estreita parceria – para continuar e ampliar – com o Centro Cultural Cabo Verde.

A inauguração da exposição acontece este sábado, dia 17 de outubro, com presença do Sr. Embaixador de Cabo-Verde, Eurico Correia Monteiro, do Sr. Conselheiro do CCCV, José Silva, e com textos das curadoras Simone Amorim “A memória e o território, relações com o espaço público” e Ana Rita Alves “Festas de bairros da AML em correspondência com territórios africanos de origem, multidimensionalidade das festas: comensalidade, rituais, sociabilidade, vestuário, religião etc.”, e apresentação a cargo de Iolanda Évora, Coordenadora do Projeto AFRO-PORT, (CESA/ISEG). 

Nas palavras de Iolanda Évora, “esta exposição convida-nos a tomar parte das vivências de pessoas da diáspora africana, seus descendentes, amigos e vizinhos, em Lisboa e na sua área metropolitana. Através de imagens e vozes registadas em fotografias e vídeos, apresentam-se aqui protagonistas de uma festa que celebra, renova o cuidado espiritual e mata a saudade. Nos depoimentos em vídeos, as mulheres falam de resistência. Falam de transformação pessoal e social, de coragem e de afetos que constroem com os pés fincados nestes lugares onde vivem e que ajudam a moldar.”

“As mesas enchem-se então de Katchupa, Arroz à Valenciana, Feijão Pedra ou Xerém, que se degustam ao ritmo da conversa que se desenrola pela tarde fora, até à chegada dos artistas, que fazem palco no altar.”

(“Herberto Smith” – ANA RITA ALVES, Investigadora do Projeto AFRO-PORT)

“(…) a memória é o que os grupos decidem fazer com o seu passado, ou, dito de outra forma, um processo vivo de significação da história. Não se apagam memórias, as sociedades produzem-nas em moto contínuo através dos indivíduos que dela fazem parte, encontrando brechas nas formas inertes da história oficial.”

(SIMONE AMORIM, Investigadora Pós-Doc no Projeto AFRO-PORT)

A sessão de inauguração, reservada a um número restrito de convidadas e convidados por motivo da circunstância atual, aconteceu no dia 17/10, todavia, todos estão convidados a conhecer a exposição, patente de 19 de outubro a até o fim de dezembro, das 10h às 17h, no espaço do CCCV (Rua de São Bento 640, 1250-222 Lisboa), e de acordo recomendações de segurança do Centro Cultural. 

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