{"id":711,"date":"2020-05-29T16:40:29","date_gmt":"2020-05-29T16:40:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/?page_id=711"},"modified":"2020-07-14T20:32:36","modified_gmt":"2020-07-14T20:32:36","slug":"matrizes-critico-interpretativas-em-jogo-de-desconstrucao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/matrizes-critico-interpretativas-em-jogo-de-desconstrucao\/","title":{"rendered":"Matrizes cr\u00edtico-interpretativas em jogo de desconstru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Laura Cavalcante Padilha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<p>O universo cr\u00edtico formado no \u00e2mb\u00edto dos estudos liter\u00e1rios, cujo objeto s\u00e3o as literaturas produzidas nos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa, vem crescendo em consist\u00eancia e rigor metodol\u00f3gico nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Cada vez mais os especialistas se valem de um aparato te\u00f3rico que serve como agente propulsor de suas investiga\u00e7\u00f5es. Este \u00e9 o caso de<em> Literaturas<\/em> <em>Africanas <\/em>e <em>formula\u00e7\u00f5es p\u00f3s-coloniais <\/em>de Ana Mafalda Leite que, nascendo j\u00e1 como uma obra cl\u00e1ssica, vem juntar-se ao significativo caminho at\u00e9 aqui percorrido pela professora-ensa\u00edsta e que tem como paragens obrigat\u00f3rias <em>A po\u00e9tica de Jos\u00e9 Craveirinha <\/em>(1991), <em>A modaliza\u00e7\u00e3o <\/em>\u00e9pica <em>nas literaturas africanas <\/em>(1995) e <em>Oralidades&amp; escritas nas literaturas africanas <\/em>(1998), para al\u00e9m de outros ensaios e publica\u00e7\u00f5es. A tudo isso se soma ainda a sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com suas <em>formula\u00e7\u00f5es p\u00f3s-coloniais, <\/em>a autora j\u00e1 agora cobre, com profunda acuidade te\u00f3rico-cr\u00edtica uma \u00e1rea que demandava um olhar mais atento e reflexivo em nosso \u00e2mbito de pesquisa. A obra cont\u00e9m 11 ensaios apresentados em 4 partes: &#8220;Literaturas africanas e p\u00f3s-colonialismo&#8221; que funciona como uma introdu\u00e7\u00e3o balizadora para as demais; &#8220;Configura\u00e7\u00f5es textuais da oralidade no c\u00eanone ma\u00e7ambicano&#8221;, quando a ensa\u00edsta retoma uma via j\u00e1 aberta por suas <em>Oralidades <\/em>&amp; <em>escritas; <\/em>&#8220;Questiona\u00e7\u00e3o do c\u00e2none hist\u00f3rico colonial&#8221;, momento suspensivo em que deixa Mo\u00e7ambique e de debru\u00e7a sobre dois romances angolanos; e &#8220;Percursos p\u00f3s-coloniais da poesia mo\u00e7ambicana&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos que se seguem \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de certo modo por ela se soldam entre si, j\u00e1 que a reflex\u00e3o inaugural da autora serve como o grande mote da obra, uma esp\u00e9cie de convite, como se d\u00e1 no jogo milenar da oralidade africana, para que o palco do imagin\u00e1rio, j\u00e1 agora do leitor, se abra. Tal mote funciona como a f\u00f3rmula prazerosa. &#8220;Karingana wa karingana&#8221; no conjunto do livro cr\u00edtico. Este consistente ensaio tem o inequ\u00edvoco m\u00e9rito de p\u00f4r&#8221; em discuss\u00e3o o termo &#8220;p\u00f3s-colonial&#8221; &#8211; a partir de sua matriz inglesa &#8211; que \u00e9, segundo as pr\u00f3prias palavras da professora, um termo &#8220;usado pela cr\u00edtica, em diversas \u00e1reas de estudo, para discutir os efeitos culturais da coloniza\u00e7\u00e3o&#8221;.A seguir, ela demonstra que o seu interesse reside em analisar, em um primeiro momento, os vetores dessa cr\u00edtica que tem como ponto b\u00e1sico a desconstru\u00e7\u00e3o da rigidez c\u00eantrica do olhar colonial, propondo-se uma vis\u00e3o outra pela qual se tentam estabelecer novas negocia\u00e7\u00f5es de sentido. O seu prop\u00f3sito mais direto \u00e9, partindo disso, estender o recorte de tais vetores para o nosso pr\u00f3prio objeto de estudo, ou seja, as literaturas africanas que t\u00eam o portugu\u00eas como seu ve\u00edculo principal de express\u00e3o, embora sem abdicar muitas vezes, de uma corros\u00e3o de base resultante dos v\u00e1rios entrecruzamentos lingu\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo claro e did\u00e1tico, Ana Mafalda parte de uma an\u00e1lise do termo p\u00f3s-colonialismo, mostrando-lhe a origem anglo-sax\u00f4nica, percorrendo os caminhos de sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica e analisando a complexidade e abrang\u00eancia dos estudos p\u00f3s-coloniais, cujas formula\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas seus pr\u00f3prios ensaios sobre obras concretas ir\u00e3o pouco a pouco retomando e, pela repeti\u00e7\u00e3o, ampliando significativamente. Retornar\u00e3o, nos ensaios subsequentes, portanto, quest\u00f5es ligadas a uma <em>&#8220;po\u00e9tica da cultura&#8221;, <\/em>como as referentes a c\u00e2none (retomado na 2\u00aa parte), valor, sentido, hibrida\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria, diferen\u00e7a, lugar, identidade, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Boaventura de Sousa Santos, um de seus interlocutores te\u00f3ricos para a quest\u00e3o, a cr\u00edtica tenta analisar o que chama de &#8220;Particularidades da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa&#8221;. Retoma, ent\u00e3o, de um lado, a dicotomia Pr\u00f3spero e Caliban, de matriz shakespeariana, que se revelar\u00e1 muito produtiva em alguns dos ensaios e, de outro, as diferen\u00e7as do processo colonial portugu\u00eas, tal como as recorta aquele autor. A l\u00edngua \u00e9 um dos pontos mais focados pela vis\u00e3o cr\u00edtica da pesquisadora, assim como o di\u00e1logo que se estabelece com as matrizes da tradi\u00e7\u00e3o local e as rupturas que, por consequ\u00eancia, ganham for\u00e7a e lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena ainda sublinhar a import\u00e2ncia que as reflex\u00f5es sobre duas quest\u00f5es particularmente representativas para n\u00f3s, estudiosos dessas literaturas, adquirem em nosso trabalho cotidiano: a do c\u00e2none e a do valor. Para al\u00e9m delas \u00e9 igualmente importante a rediscuss\u00e3o sobre outra quest\u00e3o, isto \u00e9, a vis\u00e3o das no\u00e7\u00f5es de centro e periferia, com todos os desdobramentos que isso traz, quando pensamos categorias como as de g\u00eanero; regionaliza\u00e7\u00e3o; legitima\u00e7\u00e3o. A urg\u00eancia dentre outras de se produzirem novas hist\u00f3rias liter\u00e1rias nacionais, bem como antologias que d\u00eaem conta do percurso de tais literaturas, sobretudo no que respeita aos s\u00e9culos passados \u00e9 tamb\u00e9m um ponto a sublinhar. A discuss\u00e3o, por fim, sobre hibridez e o processo b\u00e1sico de transcultura\u00e7\u00e3o leva ao questionamento do conceito de lusofonia que tem na l\u00edngua seu principal elemento de sustenta\u00e7\u00e3o. E a autora conclui essa parte, e j\u00e1 agora n\u00f3s com ela em seu registro discursivo altamente po\u00e9tico,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Os textos p\u00f3s-coloniais est\u00e3o no outro lado da margem do rio, em territ\u00f3rio alheio, apesar de uma ponte imagin\u00e1ria, que \u00e9 a l\u00edngua, nos unir, a ponte \u00e9 a met\u00e1fora infinita, nunca mais acaba, quanto mais andamos, mais longe estamos, porque a ponte \u00e9 ilus\u00f3ria e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel caminhar sobre a \u00e1gua, que nos escapa sempre, muito ou pouco, tal como a outra margem.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em sua busca deliberada de mostrar a for\u00e7a simb\u00f3lica dessa outra margem, a autora Ana Mafalda Leite, atendendo ao que Barthes preceitua, se entrega amorosamente aos objetos concretos que seu pr\u00f3prio prazer de leitora vai apontando.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, pensando o &#8220;c\u00e2none mo\u00e7ambicano&#8221; em processo de consolida\u00e7\u00e3o, ela se debru\u00e7a sobre as &#8220;configura\u00e7\u00f5es textuais da oralidade&#8221;, principalmente em obras de Mia Couto e Paulina Chiziane, para, em processo final recolhitivo, analisar o que nomeia de &#8220;modelos no romance mo\u00e7ambicano&#8221;. Nesse ensaio, ela considera, como diz, &#8220;a inscri\u00e7\u00e3o de modelos orais [&#8230;] um dos caminhos mais aliciantes, em via de institui\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica narrativa p\u00f3s-colonial&#8221;. Mostra tamb\u00e9m como tais modelos &#8220;escapam a outros considerados can\u00f4nicos&#8221; retornam, nesse recorte dos modelos, as reflex\u00f5es sobre <em>Terra son\u00e2mbula <\/em>(1992) de Mia Couto e <em>S\u00e9timo juramento <\/em>(2000) de Paulina Chiziane, ampliando-se a visada com <em>Ualalapi <\/em>de Ungulani Ba Ka Khosa que antecede os outros temporalmente &#8211; 1987 &#8211; e significa um dos marcos mais fortes do percurso ficcional mo\u00e7ambicano. A ensa\u00edsta demonstra que os &#8220;tr\u00eas romances s\u00e3o organizados a partir de uma estrutura narrativa oral de base, o conto&#8221;, fazendo-se uma esp\u00e9cie de s\u00edntese aleg\u00f3rica do pa\u00eds, j\u00e1 que sua base s\u00e3o os &#8220;m\u00faltiplos contos, culturas e hist\u00f3rias&#8221; que, unidos na estrutura do g\u00eanero, que \u00e9 o romance, ganham &#8220;sentido pleno&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O segmento subsequente desvia o olhar do \u00cdndico para o Atl\u00e2ntico, aportando a ensa\u00edsta em Angola, mais precisamente ancorando seu barco no porto dos romances A <em>gloriosa fam\u00edlia <\/em>(1997) de Pepetela e A <em>lenda dos homens do vento, <\/em>vol II, de FernandoFonseca Santos &#8211; O <em>tempo do meio <\/em>(1998). Interessa-lhe perquirir no \u00e2mbito da escrita p\u00f3s-colonial, a releitura da hist\u00f3ria colonial pelos dois textos e suas diferentes modeliza\u00e7\u00f5es ou formula\u00e7\u00f5es. De certa forma, nesse gesto de leitura, a autora, respondendo, pela cr\u00edtica, \u00e0 proposta liter\u00e1ria dos dois ficcionistas angolanos, ela e eles praticantes de uma cultura p\u00f3s-colonial, parece atender ao convite do ensa\u00edsta Stuart Hall, de origem jamaicana, mas radicado na Inglaterra desde os anos 50, ou seja, convite para que haja um esfor\u00e7o &#8220;de juntar ao presente essas &#8216;rotas&#8217; fragment\u00e1rias [&#8230;] e reconstruir suas genealogias n\u00e3o-ditas&#8221; preparando-se, desse modo, &#8220;o terreno hist\u00f3rico de que precisamos para conferir sentido \u00e0 matriz interpretativa e \u00e0s auto-imagens de nossa cultura, para tornar o invis\u00edvel vis\u00edvel&#8221; (2003,0.42). Nesse sentido, as reflex\u00f5es da autora n\u00e3o s\u00f3 respondem a Hall, mas se v\u00e3o juntar a outras igualmente produtivas, como as de Inoc\u00eancia Mata, Luis Kandjimbo, Pires Laranjeira, Carlos Pacheco, Francisco Noa, Nelson Sa\u00fate, Gilberto Matusse e tantos outros, para al\u00e9m de vozes cr\u00edticas brasileiras, de que sinto uma certa falta nos ensaios apresentados pela autora, j\u00e1 que, no Brasil, os estudos culturais em sua faceta p\u00f3s-colonial v\u00eam tentando, igualmente, &#8220;juntar essas &#8216;rotas&#8217; fragment\u00e1rias&#8221; a que alude Hall, e que \u00e9 a base do suplemento proposto pela leitura da ensa\u00edsta Ana Mafalda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a quarta e \u00faltima parte de <em>Literaturas Africanas <\/em>e <em>formula\u00e7\u00f5es p\u00f3s-coloniais <\/em>nos traz as trilhas ou rotas da poesia mo\u00e7ambicana ou, no dizer da autora, seus percursos. Comparecem nessa ciranda po\u00e9tica proposta pela tamb\u00e9m poetisa Ana Mafalda, os textos de Lu\u00eds Carlos Patraquim, Eduardo White, Virg\u00edlio de Lemos, Armando Artur, para al\u00e9m de Guita J\u00fanior, Filimone Meigos, etc. Em especial pode-se ressaltar o ensaio&#8221; A reescrita de Caliban sobre a Ilha de Pr\u00f3spero&#8221;, texto que em certo sentido &#8220;amarra&#8221; os demais e pelo qual ela tenta ler a ilha de Mo\u00e7ambique como &#8220;um dos espa\u00e7os m\u00edticos de funda\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, enquanto espa\u00e7o cultural&#8221;. A ilha j\u00e1 aparecera no ensaio sobre Luis Carlos Patraquim, sendo mostrada como contribuindo para a travessia do poeta que tenta, dela partindo, ou da sua mem\u00f3ria, formular<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>todas as ilhas liter\u00e1rias&#8221;, formando um &#8220;arquip\u00e9lago de tradi\u00e7\u00e3o escolhida&#8221;. Tamb\u00e9m o mar se reconvoca no \u00faltimo ensaio com a releitura do lugar do \u00cdndico por diversas vozes po\u00e9ticas como as de White, Patraquim, J\u00falio Carrilho, etc, a que se acrescenta o lugar do c\u00e9u, para que com eles, mar e c\u00e9u, a pr\u00f3pria cr\u00edtica possa concluir sobre a import\u00e2ncia de uma poesia que &#8220;faz circular o &#8220;sonho&#8221; de &#8220;uma esp\u00e9cie de p\u00e1tria poss\u00edvel entre mar e c\u00e9u, lugar em que homens e cultura convivem harmoniosamente&#8221;, criando, como conclui, &#8220;uma na\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, p\u00e1tria em v\u00f4o e navega\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Deliberadamente deixei para o fim o ensaio sobre Armando Artur onde a poetisa Ana Mafalda Leite quase toma o lugar da ensa\u00edsta firmemente ancorada na teoriza\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-colonial, para soltar as asas &#8211; e o \u00faltimo ensaio \u00e9 tamb\u00e9m tribut\u00e1rio disso &#8211; e, em &#8220;sonho e poesia&#8221;, desvelar &#8220;O m\u00faltiplo rosto das imagens&#8221;que o seu texto, em ricochete com os de Armando Artur, nos revela. Ela, como ele, &#8220;tematiza o modo de capta\u00e7\u00e3o do olhar e do tempo, em imagens &#8216;refeitas&#8217; por dentro, em acto de transmuta\u00e7\u00e3o, recria\u00e7\u00e3o&#8221;. De certo modo, o que diz neste ensaio, costura o que pensa sobre o poeta e que de certo modo poder\u00edamos estender para os autores e obras que seu texto ajuda, qual Pen\u00e9lope, a destecer para depois retecer, indefinida e intemporalmente. <\/p>\n\n\n\n<p>Fecho com suas palavras, para, parabenizando-a pela excel\u00eancia de seu livro, dizer que recuperar as falas antigas soterradas pelo tempo e pela imposi\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios sil\u00eancios culturais, no espa\u00e7o liter\u00e1rio africano, \u00e9 tirar o v\u00e9u que escondia &#8220;o m\u00faltiplo rosto das imagens&#8221;, ou seja, tentar entender&#8221; o grande desafio&#8221; &#8211; e n\u00e3o posso esquecer Ant\u00f3nio Jacinto &#8211; que n\u00e3o s\u00f3 &#8220;anima o poeta [Armando Artur] \u00e0 escuta das palavras&#8221;, mas faz do escritor africano<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>um int\u00e9rprete privilegiado das coisas que o rodeiam, sujeito e predicado que fala em simult\u00e2neo, com e pela linguagem.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Parab\u00e9ns, professora e poetisa Ana Mafalda Leite. O seu texto, fazendo-\u00adse tamb\u00e9m ele, &#8220;sujeito e predicado&#8221; a falar &#8220;com e pela linguagem&#8221;, representa uma contribui\u00e7\u00e3o mais que efetiva para a consolida\u00e7\u00e3o da \u00e1rea por n\u00f3s escolhida e que nos prende a todos qual Aracne em sua teia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laura Cavalcante Padilha O universo cr\u00edtico formado no \u00e2mb\u00edto dos estudos liter\u00e1rios, cujo objeto s\u00e3o as literaturas produzidas nos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa, vem crescendo em consist\u00eancia e rigor metodol\u00f3gico nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Cada vez mais os especialistas se valem de um aparato te\u00f3rico que serve como agente propulsor de suas investiga\u00e7\u00f5es. 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