{"id":1025,"date":"2020-06-16T21:06:00","date_gmt":"2020-06-16T21:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/?page_id=1025"},"modified":"2020-06-16T21:06:00","modified_gmt":"2020-06-16T21:06:00","slug":"uma-patria-chamada-chamada-poesia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/uma-patria-chamada-chamada-poesia\/","title":{"rendered":"Uma p\u00e1tria chamada chamada poesia&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Carmen Lucia Tind\u00f3 Secco<a href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\"\/>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>(&#8230;) a poesia de Ana Mafalda Leite traduz, de forma inequivocamente sedutora, o seu compromisso com o jogo, o reencantamento da linguagem e do mundo.<\/p><p>\u00a0 (NOA, Francisco, 2001. <em>In: <\/em>LEITE, 2002, p. 13)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de Ana Mafalda Leite, editada a partir 1984, se faz herdeira, em v\u00e1rios aspectos, do lirismo de Gl\u00f3ria de Sant\u00b4Anna, tamb\u00e9m oscilando, como a po\u00e9tica dessa autora, entre as fronteiras de duas p\u00e1trias: Mo\u00e7ambique, aonde viveu parte de sua vida; e Portugal, pa\u00eds para onde retornou e fixou moradia.<\/p>\n\n\n\n<p>O<strong><em> Livro das encanta\u00e7\u00f5es e outros poemas<\/em><\/strong>, conforme define a pr\u00f3pria Mafalda numa entrevista, \u00e9 uma antologia, ou seja, uma recolha po\u00e9tica, desde seu primeiro livro de poesia, <strong><em>Em sombra acesa<\/em><\/strong> (1984), at\u00e9 <strong><em>Livro das encanta\u00e7\u00f5es <\/em><\/strong>(2005), obra em que diversos poemas s\u00e3o encimados por ep\u00edgrafes e dedicat\u00f3rias a amigos com quem a autora partilhou, ao longo de sua vida, sensibilidades, amorosidades, cumplicidades.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>As dedicat\u00f3rias que se podem observar em alguns dos poemas inseridos no <em>Livro das Encanta\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0 permitem aquilatar a dimens\u00e3o dos la\u00e7os de afecto e de cumplicidade que a Ana Mafalda Leite foi tecendo ao longo dos tempos, cumplicidades que se estendem a um M\u00e1rio Botas, recordando o Gulamo Khan ou \u00e0 mem\u00f3ria da Helena, \u00e0 S\u00f3nia Sultuane, ao Jo\u00e3o Paulo Borges Coelho, \u00cddasse, Armando Artur,\u00a0 Ana Magaia, Jaime Santos e Louren\u00e7o de Ros\u00e1rio\u00a0; ao Andr\u00e9, ao Jota, ao Marco, \u00e0 Sara, ao Paulo e \u00e0 Joana. E tamb\u00e9m o Francisco Noa, a Ana Paula Tavares, o Lopito e sem esquecer o Kandjimbo. E ainda a tantos outros. Devem ter sido cumplicidades fant\u00e1sticas. Porque a Ana Mafalda Leite nunca soube de que lado estava o desamor. Mas soube, desde sempre, de que lado estava a ternura, o que me leva a acreditar que ela sabia que a poesia, incluindo a sua, poderia alimentar essa ternura<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p><p>(PANGUANA, M., 2011)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A seguir aos poemas retirados de <strong><em>Em sombra acesa<\/em><\/strong>, sucedem-se, nessa mais recente antologia de Ana Mafalda, composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas extra\u00eddas de seus livros posteriores: <strong><em>Can\u00e7\u00f5es de alba<\/em><\/strong> (1989); <strong><em>Mariscando luas <\/em><\/strong>(1992, em parceria com Lu\u00eds Carlos Patraquim e Roberto Chichorro); <strong><em>Rosas da China<\/em><\/strong> (1999); <strong><em>Passaporte do cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> (2002); <strong><em>Livro das encanta\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong> (2005).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como barcos em viagem, os sujeitos l\u00edricos dos poemas de Ana Mafalda percorrem trilhas mar\u00edtimas, fluviais, ou navegam por dentro da palavra po\u00e9tica; al\u00e7am voo e riscam o infinito, criando vida e imagina\u00e7\u00e3o. Tecem uma poesia que se realiza como encantamento do ser e da linguagem. Segundo o poeta mo\u00e7ambicano Calane da Silva, autor do pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o desta antologia em Mo\u00e7ambique, a po\u00e9tica de Ana Mafalda Leite \u00e9 pura \u201cencanta\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>transporta o luar de Tete, as \u00e1guas do Zambeze, as praias do \u00cdndico, o cheiro da chuva mo\u00e7ambicana, ao mesmo tempo que acaricia a primavera lusitana.<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0 (CALANE, Pref\u00e1cio. <em>In:<\/em> LEITE, 2005 p. 8)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O trajeto l\u00edrico dos sujeitos po\u00e9ticos das obras antologizadas come\u00e7a atravessando sombras, rumores de vozes ao fim da tarde, quando as primeiras estrelas e a lua branca se erguem no c\u00e9u. \u00c9 quando a solid\u00e3o penetra o \u00e2mago do cora\u00e7\u00e3o do poeta e acende a manh\u00e3 da poesia: corpo mo\u00e7ambicano de contas e missangas, do qual \u201ca voz arranca\/ surpreendida\/ intraduz\u00edvel som\u201d (LEITE, 2005, p. 30).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>(&#8230;)<\/p><p>crescem obscuras as sombras<\/p><p>e o halo de murm\u00farios<\/p><p>que as arrasta<\/p><p>silencia-se quando<\/p><p>as primeiras estrelas<\/p><p>no alto de todas as \u00e1rvores<\/p><p>erguem a lua branca<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 1984, p.49)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em <strong><em>Can\u00e7\u00f5es de alba<\/em><\/strong> (1989), o eu-po\u00e9tico seduz, estendendo a linha do horizonte, na qual a ambiguidade deixa o sol e o sil\u00eancio se apossarem da palavra. Esta \u00e9 dada a \u00c1lvaro de Campos, por interm\u00e9dio de uma intertextualidade marinheira. Confessa o sujeito l\u00edrico:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>mar infinito, oh mar!<\/p><p>mar e linha de adeus, quero-te<\/p><p>na exacta onda que sobre outra se esconde<\/p><p>se descobre e se inventa<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0(LEITE, 2005, p.38)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O barco-poesia navega, assim, por e para onde leva o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <strong><em>Mariscando luas <\/em><\/strong>(1992), poemas e telas buscam um Mo\u00e7ambique imaginado, plasmado por lembran\u00e7as do passado recente, anterior \u00e0 guerra de liberta\u00e7\u00e3o. Na mem\u00f3ria dos sujeitos l\u00edricos, desfilam luas, noivas, namorados, gatos, violas, acordes, gaiolas, imagens on\u00edricas, por interm\u00e9dio das quais, a arte e os sonhos dialogam entre si, em cores e m\u00faltiplas encanta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999, <strong><em>Rosas da China <\/em><\/strong>direciona a viagem do eu-l\u00edrico para paisagens voltadas para o Oriente. Sentimentos e travessias insulares balizam o lado oriental, apontando para a Ilha de Mo\u00e7ambique, lugar matricial de encruzilhadas identit\u00e1rias do h\u00edbrido contexto hist\u00f3rico-cultural mo\u00e7ambicano, formado por etnias africanas de origem banto, por \u00e1rabes, indianos e portugueses. Povoam os poemas de <strong><em>Rosas da China <\/em><\/strong>bicos de lacre, pirilampos, cheiros ros\u00e1ceos, brilhos de lua, cantos de princesa. Essa refinada e id\u00edlica atmosfera l\u00edrica aquece \u201co sossego \u00e0 beira-tempo\u201d, no qual o sujeito po\u00e9tico se encontra. A poesia \u00e9, assim, tramada pelo labor artesanal da palavra, erigindo-se como rosa filigranada, banhada por \u00edndicos paladares e odores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>eu sou a rosa na rosa<\/p><p>rosa rodada rodando rosas<\/p><p>te quero rosa-mundo rosa dos ventos<\/p><p>outra rosa n\u00e3o quero<\/p><p>de ramo em ramo<\/p><p>o cora\u00e7\u00e3o traz inteiro<\/p><p>o ramo das rosas todas centradas no centro<\/p><p>de te ser<\/p><p>rosa<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2002, p.19)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>H\u00e1, em <strong><em>Rosas da China<\/em><\/strong>, uma procura n\u00e3o s\u00f3 identit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m existencial, que continua em <strong><em>Passaporte do cora\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> (2002). Perseguindo sonhos, amores, o poeta se depara com uma \u201ccarta de achamento\u201d, esp\u00e9cie de passaporte para seu cora\u00e7\u00e3o ambivalente que tamb\u00e9m \u00e9 afetado por aquelas paisagens orientais: \u201ca Oriente o cora\u00e7\u00e3o estremece\/ a ave voou longe\/ n\u00e3o chega o horizonte\u201d (LEITE, 2005, p. 93).<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, naquela ilha ao norte de Mo\u00e7ambique, muitos s\u00e3o os desafios do minarete convocando para ora\u00e7\u00f5es. Muitos s\u00e3o os c\u00e2nticos do poeta a contemplar as m\u00e1scaras de <em>m`shiro<\/em> das mulheres macuas que dan\u00e7am. Como ex\u00edmio ourives, o eu-l\u00edrico lapida, com m\u00e3os precisas, os fios das palavras, enfeitando, com o ouro e a prata dessa ilha, as m\u00faltiplas geografias de sua terra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>navega-me a alma uma ilha<\/p><p>o esp\u00edrito antigo de um barco em viagem<\/p><p>pen\u00e9lope de m\u00b4siro enfeitada<\/p><p>olha o minarete mais alto<\/p><p>do horizonte<\/p><p>e medita sobre as ru\u00ednas do cais<\/p><p>o porto ancorado do sonho<\/p><p>por entre seus dedos deslizam<\/p><p>fios de missanga<\/p><p>fios de prata<\/p><p>fios de ouro<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2002, p. 37)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao final da leitura dos poemas desse livro de Ana Mafalda Leite ecoa a seguinte quest\u00e3o: que passaporte \u00e9 usado para se alcan\u00e7ar o amor?&nbsp; A partir dessa interroga\u00e7\u00e3o, o leitor pode perceber que a poesia e o amor se tornam o cerne da procura existencial e liter\u00e1ria do eu-po\u00e9tico. Compreende, ainda, ser este um processo intermin\u00e1vel, pois, no momento em que atinge o \u00e1pice po\u00e9tico e amoroso, vivenciando o \u00eaxtase ef\u00eamero de uma \u201cpequena morte\u201d, no mesmo instante deste gozo fugaz e supremo, se perde de si e mergulha em sua eterna busca.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <strong><em>O amor essa forma de desconhecimento<\/em><\/strong>, as indaga\u00e7\u00f5es acerca dos sentimentos amorosos continuam, de modo exacerbado, por meio de um repensar cr\u00edtico dos afetos, da linguagem liter\u00e1ria, da vida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>(&#8230;)<\/p><p>n\u00e3o sabes<\/p><p>que o voo \u00e9 oficina de asas?<\/p><p>(&#8230;)<\/p><p>que of\u00edcio \u00e9 esse<\/p><p>de rasgar com as m\u00e3os<\/p><p>palavras?<\/p><p>que of\u00edcio \u00e9 esse<\/p><p>de deslumbrar os olhos<\/p><p>para depois os arrancar sem d\u00f3 ?<\/p><p>(&#8230;)<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2010, p.26)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A poesia tem \u201casas, por\u00e9m o poeta voa sem rumo\u201d (LEITE, 2005, p. 104). A poesia tem livre tr\u00e2nsito; contudo, o poeta viaja nela pelo sentir e pelo sil\u00eancio. Ouvindo os mantras, as arquiteturas de sons que extasiam, o sujeito l\u00edrico se reconhece \u201csem p\u00e1tria\/ sem continente\/ sem mapa\u201d (LEITE, 2005, p. 113). Entretanto, \u201ccom o passaporte do cora\u00e7\u00e3o\u201d (LEITE, 2005, p. 113), sonha \u201cser poss\u00edvel ter asas e estar em terra\u201d (LEITE, 2005, p. 113) firme. Sabe, n\u00e3o obstante, que a poesia \u00e9 sua \u00fanica p\u00e1tria poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>(&#8230;)<\/p><p>sonho ser poss\u00edvel ter asas e estar em terra<\/p><p>ter caule e raiz sobrevoar a sombra mais al\u00e9m<\/p><p>juntar a \u00e1gua ao fogo e resplandecer<\/p><p>conhecer<\/p><p>inteiro<\/p><p>do cora\u00e7\u00e3o<\/p><p>sublime ardor<\/p><p>generosidade e d\u00e1diva<\/p><p>minhas ra\u00edzes s\u00e3o a\u00e9reas<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2002, p. 63)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No<strong><em> Livro das encanta\u00e7\u00f5es <\/em><\/strong>(2005), a magia po\u00e9tica se consolida: torna-se mat\u00e9ria de ourivesaria liter\u00e1ria. O poeta n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 o art\u00edfice que esculpe a linguagem e os versos; \u00e9 o cantor e dan\u00e7arino da pr\u00f3pria poesia. Encantado pelo ritmo e artesania da constru\u00e7\u00e3o dos poemas, funde-se \u00e0 pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Criador e criatura valsam, assim, ao som do pr\u00f3prio encantamento po\u00e9tico. Usando uma voz feminina, o eu-l\u00edrico confessa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>sou aquela que canta<\/p><p>e ouve os murm\u00farios do sonho<\/p><p>\u00a0para ser livre<\/p><p>\u00e9 preciso penetrar a noite iluminada<\/p><p>\u00a0que segue em fogo<\/p><p>dan\u00e7a, cora\u00e7\u00e3o,<\/p><p>dan\u00e7a<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2005, pp. 196-197)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse livro, a identidade l\u00edrica de Ana Mafalda mostra-se, claramente, h\u00edbrida, expondo suas cruzadas heran\u00e7as europeias e mo\u00e7ambicanas. No poema, \u201cTenho o nome de um barco\u201d, o sujeito l\u00edrico declara e explica as origens de sua mesti\u00e7agem:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>ana mafalda um barco do imp\u00e9rio em travessia entre dois<\/p><p>oceanos me fez nascer. foi esse o nome que me deram<\/p><p>ao levar-me transplantada de um hemisf\u00e9rio para o outro.<\/p><p>nasci entre fronteiras l\u00edquidas entre ondas inventei um ber\u00e7o.<\/p><p>foi um nome que me nasceu, foi um barco, um deslizar de mar\u00e9s no final da d\u00e9cada de cinquenta.<\/p><p>(&#8230;)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2005, p. 174)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na escrita po\u00e9tica de Ana Mafalda Leite, os sujeitos l\u00edricos se revelam, identitariamente, multifacetados, uma vez que perpassados por legados diversos, advindos tanto do Ocidente, como do Oriente, como da pr\u00f3pria \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>cose-se a dobra do tempo sem costura frente e verso coincidem<\/p><p>(&#8230;)<\/p><p>assim o meu rosto est\u00e1 na sombra desde sempre<\/p><p>at\u00e9 que o preciso n\u00famero de luas encontre<\/p><p>a geometria exacta para o iluminar<\/p><p>acredito nesses n\u00fameros secretos<\/p><p>nesse entrecruzar de linhas<\/p><p>pela palma da m\u00e3o<\/p><p>paralelas duas vidas<\/p><p>me d\u00e3o<\/p><p>talvez porque numa a outra<\/p><p>ilumine em meu rosto<\/p><p>a fronteira l\u00edquida de dois mares<\/p><p>a ocidente a oriente<\/p><p>rosa-dos-ventos gira<\/p><p>de lua em lua meu rosto<\/p><p>minguante e crescente<\/p><p>inteira descoincidente<\/p><p>lua nova sou<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2005, pp. 15-16)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesclando esp\u00f3lios de variadas estirpes e ra\u00edzes \u2013 caligrafias em arabescos, cartografias \u00edndicas, mem\u00f3rias de \u201cocidentais praias lusitanas\u201d, paisagens \u201cem macua matriciada\u201d (conforme observa Patraquim, em suas <em>Vinte e tal novas formula\u00e7\u00f5es&#8230;<\/em>), esta antologia de Ana Mafalda se insere, no \u201clivro das genealogias\u201d da poesia contempor\u00e2nea, como uma teia de \u201cb\u00edfidas\u201d identidades e polivalentes signific\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>No poema \u201cNaturalidade (uma carta a Rui Knopfli)\u201d, o sujeito po\u00e9tico desabafa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Eu, meu caro Rui Knopfli, eu caso-me (&#8230;) \u00e0s luas dos dois hemisf\u00e9rios. (&#8230;) chamem-me europeia ou africana, que fazer, sen\u00e3o calar? Meus versos livres xingombelas, livres pomos, voam sem ch\u00e3o, neste ch\u00e3o que trago por dentro da casa m\u00f3vel que me atravessa o sonho (&#8230;) Acredita, a terra-mar que em nossas l\u00ednguas caminha \u00e9 naturalidade obscena, p\u00e1tria dividida (&#8230;), nascimento incestuoso de m\u00faltiplas m\u00e3es (&#8230;) p\u00e1tria minha, passaporte, naturalidade, s\u00f3 uma, a poesia.<\/p><p>\u00a0(LEITE, 2005, pp. 151-152)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nota-se, aqui, que o sujeito l\u00edrico ultrapassa as quest\u00f5es meramente geogr\u00e1ficas que demarcam sua identidade. Sua escrita po\u00e9tica n\u00e3o mais se inquieta com paisagens exteriores de suas duas p\u00e1trias, busca as paragens da alma, do amor. O poeta levanta, assim, asas para m\u00faltiplas dimens\u00f5es do po\u00e9tico, preocupado n\u00e3o com o ch\u00e3o de sua poesia, por\u00e9m com os ares que a animam e a elevam para longe, para os infind\u00e1veis caminhos da imagina\u00e7\u00e3o criadora que, para nunca morrer, precisa, constantemente, ser reinventada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O amor essa forma de desconhecimento <\/em><\/strong>continua nessa clave de \u00eanfase aos cen\u00e1rios interiores do cora\u00e7\u00e3o. O amor se destaca como mat\u00e9ria po\u00e9tica, em torno da qual giram quase todas as composi\u00e7\u00f5es do livro. Contudo, \u00e9 entendido sem os excessos rom\u00e2nticos, ou seja, \u00e9 esvaziado \u2013 conforme esclarece Silviano Santiago, no pref\u00e1cio ao livro \u2013 das \u201cflores da ret\u00f3rica\u201d, que, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, definiram esse sentimento como \u00e1pice da trajet\u00f3ria emocional do ser humano.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>um poema<\/p><p>m\u00fasica fora deste tempo\u00a0<\/p><p>o eco estranho grave imenso<\/p><p>nos l\u00e1bios pousado<\/p><p>interdito<\/p><p>(o amor?\u00a0 essa evid\u00eancia da m\u00e3o brotando rosas de fogo&#8230;)\u00a0<\/p><p>esse colar colado ao corpo em brilho\u00a0\u00a0<\/p><p>rosto do meu rosto<\/p><p>olhos dentro dos meus<\/p><p>acredito\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p><p>(LEITE, 2010, p. 35)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nesse mais recente livro de Ana Mafalda Leite, ao mesmo tempo que os sujeitos l\u00edricos dos poemas apontam para uma condi\u00e7\u00e3o estrangeira relacionada ao amor, tamb\u00e9m o olham, como o poeta Auden o faz, com \u201cos olhos da alma\u201d, procurando conhec\u00ea-lo. No entanto, diante dos paradoxos e contradi\u00e7\u00f5es inerentes a esse sentimento, a tarefa de decifr\u00e1-lo torna-se imposs\u00edvel ou mesmo infind\u00e1vel. \u00c9 que o amor se plasma como espet\u00e1culo h\u00edbrido, no qual encanto\/desencanto, signos de fogo\/signos de \u00e1gua, prazer\/desprazer, enfim, conhecimentos\/ desconhecimentos impulsionam buscas, entregas, mas tamb\u00e9m limites. Esta ambival\u00eancia perpassa todos os poemas. O amor se mostra \u201cpura err\u00e2ncia\u201d (LEITE, 2011, p. 33), desconstruindo genealogias; contudo, segue tra\u00e7ando caminhos dentro e fora do sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Edgar Morin, ao estudar esse sentimento, o associa \u00e0 poesia e tamb\u00e9m \u00e0 loucura; chama aten\u00e7\u00e3o para o car\u00e1ter paradoxal dessa afetividade que, simultaneamente, \u00e9 tanto capaz de cegar, como iluminar, podendo, portanto, transitar da fulmina\u00e7\u00e3o \u00e0 deriva, do sublime ao carnal, da plenitude \u00e0 incerteza, da loucura ao \u00eaxtase po\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>(&#8230;)<\/p><p>o amor essa forma de desconhecimento<\/p><p>perfume solto em mim<\/p><p>inebriante<\/p><p>pura err\u00e2ncia<\/p><p>desterro<\/p><p>lonjura<\/p><p>ex\u00edlio<\/p><p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (LEITE, 2010, p. 35)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em <strong><em>O amor essa forma de desconhecimento<\/em><\/strong>, desbastado dos significados estereotipados que o cercam, o amor deixa de ser concebido como mera emo\u00e7\u00e3o, sendo entendido como afec\u00e7\u00e3o, como afeto, no sentido de Spinoza, ou seja, como uma pot\u00eancia de sentir, de afetar, profundamente, o sujeito, de o colocar em quest\u00e3o diante da vida e de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse livro de Ana Mafalda, ao amor s\u00e3o creditadas rosas de fogo, olhos dentro dos olhos. Por\u00e9m, o tempo todo, o poeta busca romper interditos e ultrapassar os lugares comuns da linguagem: \u201cpoesia \u00e9 voar fora da asa\u201d (LEITE, 2011, p. 38).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre interroga\u00e7\u00f5es, que permeiam grande parte dos poemas, destacam-se as seguintes: como perceber o amor? Como se encantar com ele? Como captar os diferenciados sentidos desse sentimento poliocular, capaz de apontar, simultaneamente, para paisagens as mais diversas \u2013 o verde das plan\u00edcies, o sil\u00eancio dos desertos, a imensid\u00e3o dos mares, o imponder\u00e1vel mist\u00e9rio do ser?!&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O territ\u00f3rio amoroso flutua, assim, entre centramentos e descentramentos, afetividades e letras, geografias e escritas. De acordo com Edgar Morin, \u201co amor precede a palavra e procede da palavra. \u00c9 pela palavra que se pode construir o amor\u201d (MORIN, 2003, p.18). Os poemas do livro de Ana Mafalda tamb\u00e9m chamam aten\u00e7\u00e3o para essa faculdade: \u201cAmor, meu territ\u00f3rio, minha \u00fanica p\u00e1tria\u201d (LEITE, 2011, p. 46), atrav\u00e9s de ti \u201cquero aprender meu pa\u00eds\u201d (<em>idem,<\/em> p.47). O eu-l\u00edrico se inquieta, se desassossega, se despe, se mistura masculino\/feminino, interrogando-se sobre o pr\u00f3prio amor, sobre como encantar, como aprender o pa\u00eds, como olhar os barcos ao cair da tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses poemas, o sujeito po\u00e9tico faz do amor um exerc\u00edcio de sensibilidade amorosa, ao mesmo tempo em que reflete acerca desse sentimento t\u00e3o contradit\u00f3rio, inspirador de tantos poetas e escritores, das mais variadas culturas, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Foi cantado por Cam\u00f5es como \u201cfogo que arde e n\u00e3o se sente\u201d; Guimar\u00e3es o associou ao voc\u00e1bulo \u201cnonada\u201d; Drummond o denominou \u201camor amaro\u201d. Muitos outros bardos se referiram, com met\u00e1foras sonantes e dissonantes, a esse sentimento que, no fundo, todo ser humano busca, mesmo em sua contraface.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal o que \u00e9 o amor? Como construir sua cartografia, que \u00e9 plural, n\u00e3o f\u00edsica, e n\u00e3o apresenta mapas de tra\u00e7adas e planejadas geometrias?!&#8230; \u2013 essas s\u00e3o algumas das interroga\u00e7\u00f5es que percorrem o livro de Ana Mafalda. Ao t\u00e9rmino da leitura, fica a certeza de que o amor nunca poder\u00e1 ser plenamente conhecido, pois n\u00e3o sabe caminhos, deixando-se delinear por fluxos e refluxos de um vir-a-ser constante.<\/p>\n\n\n\n<p>No poema \u201cO Amor \u00e9 uma Rosa que Arde Vendo-se\u201d, o eu-l\u00edrico intertextualiza sua voz com as \u201cvolucres rosas\u201d de Ricardo Reis \u2013 \u201cvol\u00fateis\/ voluptosas rosas\u201d (LEITE, 2010, p.28) \u2013 e com os camonianos versos tantas vezes citados: \u201camor \u00e9 fogo que arde sem se ver\/ \u00e9 ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente\u201d. Rosas da paix\u00e3o, rosas de porcelana, rosas de escrita. O amor \u00e9 uma rosa que arde: \u201ccontagiantes rosasderosas contaminosas, abertas, luxuriantes\u201d (cf. LEITE, 2010, pp.28-29). Muitas s\u00e3o as intertextualidades tecidas pelos poemas de Ana Mafalda. As rosas s\u00e3o as suas rosas da China, s\u00e3o as rosas do povo entoadas por Drummond, s\u00e3o, enfim, as rosas do amor, as rosas dos poetas, t\u00e3o decantadas por tantos, ao longo de espa\u00e7os e tempos os mais diversos.<\/p>\n\n\n\n<p>O sujeitos l\u00edricos do livro de Ana Mafalda procuram definir o amor ora o descrevendo como rosas de fogo brotando das m\u00e3os, ora como sabores doces de frutas: a papaia, a manga, a ma\u00e7\u00e3.&nbsp; Todavia, sugerem que o amor \u00e9 feito, tamb\u00e9m, de ex\u00edlios, indaga\u00e7\u00f5es e que \u00e9 preciso, constantemente, estar a buscar novos portos para sua identidade. Uma identidade m\u00f3vel, fluida, sempre em travessia, a se perguntar: ao sul do Mediterr\u00e2neo? Ao sul do \u00cdndico?<\/p>\n\n\n\n<p>O livro <strong><em>O amor essa forma de desconhecimento <\/em><\/strong>se constitui por in\u00fameras representa\u00e7\u00f5es de diversas formas amorosas que se revelam ora desconhecidas, ora adiadas, ora ardentes, muitas vezes estrangeiras a si mesmas. O amor ora se dirige \u00e0s amadas, ora aos poetas e aos poemas que o celebraram; ora busca paladares, a natureza, o pa\u00eds, sendo esse processo uma procura de sentimentos de perten\u00e7a por um lugar aberto a multifacetadas e, sempre renov\u00e1veis, escolhas. Talvez a melhor imagem que expresse esse amor seja a de um bal\u00e3o que voa \u201ce que a gente larga o fio e desaparece no ar\u201d (LEITE, 2010, p.82). Essa met\u00e1fora, ao exprimir, visualmente, a linha invis\u00edvel que escapa \u00e0s m\u00e3os de quem a segura, alcan\u00e7a plasmar a ideia do ind\u00edzivel que caracteriza tanto o amor, como a pr\u00f3pria poesia.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FONSECA, Nazareth. Literatura africana de autoria feminina: estudo de antologias po\u00e9ticas. <em>In: Scripta<\/em>, Belo Horizonte: 8 (15): 283-296, jul.-dez. 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, M. <em>A ordem do discurso<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>LEITE, Ana Mafalda. &nbsp;<em>Em sombra acesa. <\/em>Lisboa: Vega, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p>_________________. <em>Can\u00e7\u00e3o de alba.<\/em> Lisboa: Vega, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>_________________; PATRAQUIM, Lu\u00eds Carlos; CHICHORRO, Roberto.<em> Mariscando luas. <\/em>Lisboa: Editorial caminho, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>________________. <em>Rosas da China.<\/em> Lisboa: Quetzal, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p><em>_________________. Passaporte do cora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lisboa: Quetzal, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>________________. <em>Livro das encanta\u00e7\u00f5es<\/em>. Lisboa: Editorial Caminho, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>________________. <em>Livro das encanta\u00e7\u00f5es<\/em> <em>e outros poemas<\/em>. Maputo: Alcance, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>________________. <em>O amor essa forma de desconhecimento.<\/em> Maputo: Alcance, 2011. Maputo: Alcance, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>MACEDO, T\u00e2nia. \u201cDa voz quase silenciada \u00e0 consci\u00eancia da subalternidade: a literatura de autoria feminina em pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa\u201d. <em>In:<\/em> <em>Mulemba 2<\/em>. Revista virtual do Setor de Literaturas Africanas da F. Letras\/UFRJ. Rio de Janeiro, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>MATA, Inoc\u00eancia e PADILHA, Laura. <em>Mulher em \u00c1frica. <\/em>Vozes de uma margem sempre presente. Lisboa: Colibri, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>MENDON\u00c7A, F\u00e1tima e SA\u00daTE, N\u00e9lson. <em>Antologia da nova poesia mo\u00e7ambicana.<\/em> Maputo: AEMO, 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>NOA, Francisco. \u201cReencantamentos\u201d (Maputo, 2001). <em>In: <\/em>LEITE, Ana Mafalda.<em> Passaporte do cora\u00e7\u00e3o. <\/em>Lisboa: Quetzal, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>SANT\u2019 ANNA, Gl\u00f3ria de.<em>Amaranto: poesias 1951-1983.<\/em> Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>SA\u00daTE, N\u00e9lson. <em>Nunca mais \u00e9 s\u00e1bado. <\/em>Antologia de poesia mo\u00e7ambicana.&nbsp; Lisboa: Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>SZMIDT, Renata.<em> Constru\u00e7\u00e3o e express\u00e3o da identidade feminina na literatura das mulheres mo\u00e7ambicanas e alguns di\u00e1logos interart\u00edsticos. <\/em>Vars\u00f3via: Universidade de Vars\u00f3via. Tese de Doutorado policopiada, defendida em 2008.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <strong>Carmen Lucia Tind\u00f3 Ribeiro Secco <\/strong>\u00e9 Professora Titular de Literaturas Africanas de L\u00edngua Portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. \u00c9 licenciada em Portugu\u00eas-Literaturas pela UEG, atual UERJ (1970), possui Mestrado em Letras pela PUC\/RJ (1976), Doutorado em Letras pela UFRJ (1992), P\u00f3s-Doutorado pela UFF (2009-2010), com est\u00e1gio em Mo\u00e7ambique, Angola e Lisboa. \u00c9 Professor Associado3 da UFRJ, onde leciona Literaturas Africanas. Implantou, em 1993, o Setor de Literaturas Africanas de L\u00edngua Portuguesa. \u00c9 membro da <em>C\u00e1tedra Jorge de Sena para Estudos Liter\u00e1rios Luso-Afro-Brasileiros<\/em>. \u00c9 pesquisadora 1 C do CNPq. \u00c9 consultora do CNPq, CAPES, FAPERJ. Atua nas linhas de pesquisa: literaturas africanas, po\u00e9tica dos afetos, poesia e pintura, hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e sonho. Publica\u00e7\u00f5es: <em>Morte e prazer em Jo\u00e3o do Rio<\/em> (1976); <em>Al\u00e9m da idade da raz\u00e3o<\/em> (1994); <em>Antologias do mar na poesia africana <\/em>(1996-99, 3 v.) [O v. 1, dedicado a Angola, teve edi\u00e7\u00e3o angolana, em 2000]; <em>Como se o mar fosse mentira <\/em>(2006); <em>Entre f\u00e1bulas e alegorias <\/em>(2007); <em>A magia das letras africanas: ensaios escolhidos sobre as literaturas de Angola e Mo\u00e7ambique <\/em>(1\u00aa ed. 2003, 2.\u00aaed., 2008); <em>Pensando \u00c1frica<\/em>, 2010; <em>\u00c1frica: escritas liter\u00e1rias<\/em>, 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carmen Lucia Tind\u00f3 Secco[1] (&#8230;) a poesia de Ana Mafalda Leite traduz, de forma inequivocamente sedutora, o seu compromisso com o jogo, o reencantamento da linguagem e do mundo. \u00a0 (NOA, Francisco, 2001. In: LEITE, 2002, p. 13) A produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de Ana Mafalda Leite, editada a partir 1984, se faz herdeira, em v\u00e1rios aspectos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1025"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1025"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1027,"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1025\/revisions\/1027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cesa.rc.iseg.ulisboa.pt\/anamafaldaleite\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}